Material traduzido e publicado com permissão de Reggie Kelly.
https://mysteryofisrael.org/apocalyptic-evangelism-course-2002/
Reggie Kelly – 20 de janeiro de 2002
O estudo da profecia é vital para a descoberta da vontade divina na
história. “O testemunho de Jesus é o espírito de profecia” (Ap 19:10). É
notável que Pedro, depois de descrever a prova tangível de sua própria
experiência sensorial da transfiguração (“testemunhas oculares de Sua
majestade”), pudesse falar da escritura profética escrita (“a profecia
que veio nos tempos antigos” v. 21) como “uma palavra mais segura.”
“Ora, nós ouvimos esta voz vinda do céu quando estávamos com ele no
monte santo. Assim, temos ainda mais segura a palavra profética, e vocês
fazem bem em dar atenção a ela, como a uma luz que brilha em lugar
escuro, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça no coração de
vocês.” (2Pe 1:18-19).
É sempre às “palavras anteriormente proferidas pelos santos profetas”
que os apóstolos apelam constante e invariavelmente para verificar o seu
testemunho das coisas cumpridas e das coisas que virão.
“Amados, esta é, agora, a segunda carta que escrevo a vocês. Em
ambas, procuro, com lembranças, despertar a mente esclarecida de vocês,
para que se lembrem das palavras que, anteriormente, foram ditas pelos
santos profetas, e também se lembrem do mandamento do Senhor e Salvador,
que os apóstolos de vocês lhes ensinaram.” (2Pe 3:1-2).
Somente na medida em que o testemunho de Jesus pudesse ser
demonstrado em conformidade com “o que Moisés e os profetas disseram que
deveria acontecer” (Atos 26:22) ele poderia ser recomendado ao povo do
livro como a prometida “esperança de Israel” (Atos 28:20). Nenhuma outra
testemunha poderia ser considerada viável, pois Isaías havia dito “À lei
e ao testemunho: se não falarem segundo esta palavra, é porque não há
luz neles” (Is 8:20). Somente esta autoridade constituiu para a igreja
primitiva o último tribunal de apelação. Todos os outros tipos de
evidência foram considerados secundários e contingentes à sua
concordância com este padrão (cânone). O testemunho da profecia foi a
base de toda proclamação, persuasão e defesa apostólica. A profecia é a
prova escolhida por Deus de Sua existência e caráter (ver Is 41:21-23;
42:9; 43:9; 44:7, 26, 28; 45:4, 11; 46:10).
Profecia, Conhecimento
de Deus e Adoração
A autenticidade da nossa adoração não pode ultrapassar o nosso
conhecimento de Deus. É claro que, nas Escrituras, “o conhecimento de
Deus” fala primeiro de relacionamento, mas tal relacionamento é baseado
na revelação da verdade pelo Espírito Santo. Se Deus deve ser adorado
“em Espírito e em verdade”, e se “nenhuma mentira vem da verdade”,
cabe-nos “estudar para nos apresentarmos aprovados diante de Deus,
manejando bem a palavra da verdade” (2 Timóteo 2:15), na fé de que ‘toda
a Escritura é inspirada por Deus e é proveitosa’ (2Tm 3:16).
Somos instruídos a “destruir toda imaginação” que ameace ofuscar ou
comprometer a verdadeira e última glória de Deus por qualquer glória
menor. Os crentes devem “estar sempre preparados para fazer uma defesa”
(1Pe 3:15). Paulo falou da “forma das sãs palavras” (2Tm 1:15) e da
“forma da doutrina” (Rm 6:17). A defesa da fé, para a qual Paulo foi
“preparado” (Fp 1.17), implica a defesa da sua “forma”. Existe uma forma
específica de glória que corre o risco de perda ou distorção se a
intenção das escrituras for mal apropriada. O erro na verdade profética
pode causar sérios danos em coisas como vigilância, previsão e
preparação do coração para a perseverança paciente. Mas o mais
importante é que é a demonstração da sabedoria e da glória do propósito
soberano, da ação e da vindicação de Deus na história que está em última
análise em jogo na nossa visão da profecia.
Remoção “da” ou
preservação “através” da tribulação?
Qual é a intenção divina para a igreja desta dispensação? Se o
julgamento começa na casa de Deus, então a que se estende esse
julgamento? A vocação escatológica da Igreja está completa? Ou será que
Deus pretende um reflexo completo de Sua imagem na igreja dos últimos
tempos, mesmo especialmente em situações extremas, fraqueza e
reprovação? Jesus faz a pergunta: “Quando o Filho do Homem vier,
encontrará fé na terra? Que tipo de fé sobreviverá a uma apostasia sem
paralelo (2Tes 2:3)? O que ou que tipo de tempo é significado a respeito
de um remanescente vencedor que “não amou as suas vidas até a morte (Ap
12:11; Dn 11:32-35)? Existe uma base bíblica para a esperança de que a
igreja atingirá tal plenitude suficiente para provocar ciúme em Israel?
Será que as Escrituras antecipam um testemunho de mártir dos últimos
dias através de uma igreja que exibe o poder de um reino que está agora
mais uma vez próximo (Ap 12:10)? Vendo que a tribulação tem um papel
indubitável na história da igreja e na vida de cada crente (Atos 14:22),
não podemos esperar que um período futuro de perseguição universal (Ap
6:10-11) desempenhe um papel maior na efetivação de uma plenitude
escatológica?
Se Israel conhecerá a plenitude do Espírito no milênio, não é
razoável esperar que Deus pretenda mostrar os primeiros frutos dessa
plenitude na igreja, e assim ’levar Israel ao ciúme, não apenas no
primeiro século, mas especialmente na última hora da angústia de Jacó
(Dan. 11:32-35)? É impossível conceber que Deus pretenda menos do que
uma demonstração do poder e da glória da ressurreição através da igreja
em um testemunho final de obediência até a morte (ver Ap 6:11; At 14:22;
1 Ts 3:4; Ap 1:9). Quem negará que a tribulação não aumenta a capacidade
do crente de ter esperança e glória? Considere os seguintes pontos:
Coisas realizadas no fogo
dos testes:
- Purificar e refinar (Dan.11:35; 12:10). ((Se olharmos para a
bem-aventurança milenar da raça judaica restaurada, veremos o maior
monumento da história à graça eletiva. É a visão de um povo milagroso,
ainda em corpos mortais, habitando em saúde e prosperidade ininterruptas
-Isa.33: 24- por mil anos sem um único incidente de deserção da aliança
em todas as suas gerações Ro.11:26-29 com Isa. 59:20-21; 4:3; 60:21;
62:12; 54: 10,13; Jer.31:34; 32:37-40 etc. et al.)) - Aumentar a capacidade de resistência, amor, obediência e glória
final (Rm 5:3-4). - Para demonstrar o poder da ressurreição aos celestiais através de
testes e fraquezas. - Deslocar, por meio da submissão obediente até a morte, o governo
usurpador da hoste caída de principados e potestades. - Tornar Israel ciumento através do auto-sacrifício final da Igreja
num testemunho profético final que penetrará o véu sobre o coração judeu
e tornará conhecido o mistério de Cristo e de Israel. ((Israel está
esperando para ver a glória da Shekinah que partiu repousando sobre uma
igreja que ‘não ama sua vida até a morte’. Na verdade, qual será o custo
da misericórdia da igreja para com os ramos naturais?))
Então, é preservação no meio (Ap 3:10, Ap 12:14) ou remoção da
presença da provação? Manifestamente, são ambos; mas,
caracteristicamente, é o primeiro antes do último. Somente esta ordem é
calculada para testar imediatamente o coração e revelar o poder e a
glória de Deus. Se esta é a ordem normativa em todos os procedimentos de
Deus, não deveria sugerir que Deus primeiro demonstraria o seu poder
durante e através da tribulação, antes de remover a igreja da sua
presença? Deverá a igreja da multiforme sabedoria e glória de Deus ser
isenta do teste final que inaugura a revelação da glória final?
Quando os princípios de refinamento pessoal são estendidos à escala
maior de um propósito escatológico, isso sugere a lógica da perfeição
(plenitude) da igreja através da tribulação (ver Atos 14:22 com Dan.
11:32-35, Dan 12:9- 10). Na verdade, se este for um resumo preciso do
padrão divino, o conceito de remoção equivale a um aborto da sabedoria e
da intenção do “trabalho de Sião”. ((O trabalho da Sião celestial – a
igreja – precipita o trabalho da Sião terrena – Jerusalém natural –
prefatória ao reino; ver Gálatas 4:26; Hebreus 12:22-23; Apocalipse 21;
Apocalipse 12:2; com Isa. 66:8-10; Jeremias 30:6-7; Dan. 12:1,2.))
A tribulação, temperada pelo Espírito da verdade, atua como um canal
de nascimento para o poder transcendente da vida e da graça da
ressurreição, manifestando através da fraqueza os poderes da era por
vir. Até mesmo Jesus aprendeu a obediência “através” (e não ao redor)
das coisas que Ele sofreu. O fim do poder humano nas crises dá lugar à
revelação do poder da ressurreição em graça e glória (ver Dan. 12: 7,
com Deuteronômio 32:36). “As crises revelam, e as crises finais revelam
supremamente” (Arthur Katz).
Toda a Escritura é uma teologia contínua de ressurreição e triunfo
sobre os elementos mundanos da ordem decaída. Esta é “a fé e a paciência
dos santos”. O período da grande tribulação será o melhor momento de fé
e testemunho da igreja diante da terra e do céu (Dn 11:32-35; Dn
12:9-10; Ap 6:10-11 com Ap 12:11). Portanto, com Paulo, dizemos:
“Ninguém de maneira alguma vos engane; porque esse dia não acontecerá
sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem do pecado”
(2Tes.2:3), e com Jesus: “Cuidado para que ninguém vos engane”. (Jesus;
Mateus 24:4). Por que tanta urgência? Qual é o custo do engano em
relação a este assunto? Podemos propor que é a vindicação aberta de Deus
na história que está em questão, e os poderes sabem disso (Ap 12:12).
Significará a glória e a vindicação de Deus através de Sua igreja
(Efésios 3:10) e através de Israel (Romanos 11:23-32) à vista de todas
as nações (Apocalipse 1:7, Apocalipse 10:7, Ezequiel 39:21-23). O
problema final (Mt 24:21; Jr 30:7; Dn 12:1) tem como objetivo pressionar
e expor as grandes questões da fé. É o tempo da contenda final de Deus
com Israel, a igreja, as nações e os poderes do ar. É o momento em que o
mistério da iniquidade é revelado (2 Tes. 2:6-8), e os riscos não
poderiam ser maiores.
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