A Esperança Nacional em Contexto (Evangelismo Apocalíptico parte 3)

Material traduzido e publicado com permissão de Reggie Kelly.
https://mysteryofisrael.org/apocalyptic-evangelism-course-2002/

Reggie Kelly – 24 de janeiro de 2002

De acordo com o Antigo Testamento (Jeremias 31:34; Ezequiel 36:27 et
al), a obediência autêntica e permanente à Torá é impossível sem a
capacitação do Espírito. Para que a nação herde as promessas, a
obediência à lei deve ser estabelecida da única maneira possível, a
saber, o Espírito da fé. Contudo, a libertação final da maldição da
aliança quebrada (julgamento e exílio) exige mais do que a obediência de
alguns. Até que a justiça da aliança seja cumprida por toda a nação de
uma vez e para sempre, não poderá haver posse permanente da terra. Aqui
reside a chave para compreender o elemento da aliança que ainda está
pendente com este povo, e do poder e graça que ainda está para ser
demonstrado através desta nação eleita (“porque esta é a minha aliança
com eles, quando eu removerei (futuro) seus pecados” Ro.11:26-27 com
Jer.31:33-34 et al). ((Se olharmos para a bem-aventurança milenar da
raça judaica restaurada, veremos o maior monumento da história à graça
eletiva. É a visão de um povo milagroso, ainda em corpos mortais,
habitando em saúde e prosperidade ininterruptas -Isa.33: 24- por mil
anos sem um único incidente de deserção da aliança em todas as suas
gerações -Ro.11:26-29 com Isa.59:20-21; 60:21; 62:12; 4:3; 54 :10,13;
Jer.31:34; 32:37-40 etc. et al-. Israel exibirá testemunho final diante
de todas as nações da preservação eterna dos eleitos.))

À parte de uma justiça eterna através da regeneração do Espírito, uma
justiça que traz um remédio duradouro para a propensão ao retrocesso,
não pode haver herança permanente ou segura da terra. Os profetas
entenderam isso e apontaram para “aquele dia” em que todos os nascidos
em Israel serão preservados na justiça e abençoados com o Espírito
vivificante (Is 54:13; 59:21; Jr 32:39-40). Esta perspectiva
surpreendente antecipa não apenas a eliminação da apostasia de Israel,
mas o fim da presença perene do “remanescente”, uma vez que naquele
tempo todo o Israel será uniformemente justo no coração e na vida
(Jeremias 31:34; Isa. 4:3; 60:21). Somente uma justiça eterna pode
garantir uma posse duradoura da terra (caso contrário, a possibilidade
de falha da aliança ameaçaria continuamente com mais disciplina e
exílio).

A história mostra que é necessário mais para a posse permanente da
terra do que a presença de um remanescente justo, ou mesmo os
reavivamentos fugazes sob os reis Josias e Ezequias. Embora possam
impedir temporariamente o julgamento e o exílio, nunca são suficientes
para evitá-los de uma vez por todas. Os profetas e santos nunca
estiveram isentos das fortunas sofridas pela nação apóstata. A promessa
significava que a renovação pessoal e a circuncisão de coração,
conhecidas apenas por poucos, seriam verdadeiras para todos os que
compõem a nação ‘naquele dia’. Até que não haja mais um único judeu
vivendo na terra que não conheça o Senhor (Jr 31:34 et al), a
“transgressão” de Israel ainda não estará “acabada” (Dn 9:24). Somente
quando toda a nação for renovada após o seu último e maior problema (Dn
12:1-2) é que a promessa será cumprida “para sempre”. ((De acordo com
uma série de passagens, a nação renascida é inicialmente composta por um
remanescente de sobreviventes penitentes após o holocausto final
Jr.30:7; Dan.12:1, Mat.24:21 et al.))

Israel nunca tem a garantia de mais do que a posse temporária da
terra “até que o Espírito seja derramado do alto” (compare Isaías 30:15;
Zacarias 12:10; Ezequiel 39:29; Joel 2:28-29). Israel continua a estar
sujeito aos ciclos de julgamento até que o ‘novo coração’ escatológico
(Jeremias 31:34; Ezequiel 36:36) e o Espírito sejam dados a fim de que
as condições da aliança possam ser suficientemente mantidas para
assegurar a permanência da herança. Naquele dia, a lei estará não apenas
no coração de Davi ou de Jeremias, mas no coração de todos os que
restarem (Is 4:3-4; 11:11,16; Jr 31: 2) dos “fugitivos de Israel” (Is
4:2).

Manifestamente, Deus pretende reivindicar a sua prerrogativa soberana
e capacidade de santificar um povo e levá-lo a ‘perseverar na
santidade’, a fim de tornar a promessa eternamente segura para eles. Tal
“justiça eterna” exclui para sempre a perspectiva de futuro fracasso da
aliança. Desta forma, a herança baseia-se numa melhor aliança (a nova
aliança de Jeremias) através de uma nova criação de regeneração
espiritual, e é, portanto, segura para sempre. Através de uma nova
criação do Espírito, a lei está escrita no coração de cada membro
individual do que será “naquele dia”, uma nação quebrantada e contrita
(Jeremias 31:33). Naquela época, a ameaça da lei violada não ameaçará
mais a expulsão, pois agora o poder veio para cumprir a aliança em sua
intenção própria e original, a saber, pelo dom do Espírito que
soberanamente revela e vivifica a fé para “quem Ele quiser.”

Então, Deus não apenas cumpre a aliança com o seu povo, mas também a
cumpre neles pelo Espírito de santidade (ver Jeremias 32:40). A
regeneração pessoal do espírito e do coração, conhecida através dos
tempos apenas por um pequeno remanescente, será a experiência
corporativa da nação no aparecimento público e glorioso do Messias no
grande ‘Dia de Deus’. E assim, a nação que foi inicialmente concebida
por um milagre (Isaque) nasce num dia (Is.66:8). Jesus reprovou o
erudito Nicodemos por não reconhecer que este princípio do renascimento
nacional é também um pré-requisito para a entrada de cada indivíduo no
Reino de Deus. O conceito de Jesus sobre o reino é a iniciativa divina
que subjuga a velha ordem através da atividade reveladora, regeneradora
e ressuscitadora do Espírito soberano, e isto, seja atualmente nas
‘primícias’ da renovação interior e individual, ou da plena renovação e
colheita pública na “era por vir” da redenção mundial abrangente.

Além disso, Jesus compreendeu que em sua pessoa os “poderes do século
vindouro” já estão em ação de forma decisiva e poderosa, produzindo
salvação e cura num avanço imprevisto do “último dia”, daí as parábolas
e ditos baseados em um “mistério do reino”. Isto contrasta obviamente
com a visão contemporânea da nação. É um mistério, refletido nas
Escrituras como escondido de Israel para julgamento. Isso quer dizer que
o julgamento escatológico, há muito ameaçado, cairia sobre os
presunçosos de uma maneira totalmente imprevista.

Devido aos retratos vívidos que os profetas fizeram do clímax do “dia
do Senhor”, os julgamentos escatológicos que separariam os elementos
apóstatas da nação do remanescente justo foram inevitavelmente
associados a um tempo de crises nacionais. Este predito período de breve
duração, chegando até o “último dia”, foi popularmente chamado de
“ais(desgraças) messiânicos” ou “pegadas do Messias”. Contra tal pano de
fundo de expectativa, pode-se começar a imaginar o efeito que este
escatológico “segredo escondido de outras eras” (Colossenses 1:26;
Efésios 3:9) teve no Israel do primeiro século, quando durante um tempo
de relativa normalidade, e com pouca perturbação na sua vida pública, um
julgamento silencioso de magnitude solene passa fatalmente, embora
silenciosamente, pelo meio da nação inocente. O Messias de fato aparece,
mas em um papel imprevisto (embora enigmaticamente predito, veja Is 52,
Sal. 22), de sofrimento e rejeição como “pedra de tropeço e rocha de
ofensa” (Is 8:14-17). ((O Messias modela, em seu sofrimento pessoal, os
‘ais’ escatológicos da nação, ou seja, “a angústia de Jacó”
-Jr.30:7-))

O Messias representa em sua pessoa e no advento oculto, o fio de
prumo escatológico do julgamento que chega com uma antecedência
inimaginável do ‘último dia’. Assim entendido, “o mistério” funciona
para peneirar e julgar a nação, visitando antecipadamente a separação
escatológica do último dia. Ao mesmo tempo, ‘uma porta de fé é aberta
aos gentios’, inaugurando uma nova dispensação de salvação pessoal que
concede aos gentios uma participação plena e igual na herança e
esperança de Israel através do corpo representativo e sacrificialmente
substitutivo do Messias (Efésios 2:12-14; 3:6; Atos 26:6-7; 28:20; João
10:16; 11:52; Romanos 11:17). É “a glória deste mistério” (Colossenses
1:25-27), que o próprio Espírito de Deus aperfeiçoado sem medida no
Messias (João 3:34 b) habite nos fiéis gentios. Esta maravilha excede
largamente tudo o que se esperava anteriormente em relação à
reintegração milenar de Israel. Os gentios procuraram as ‘migalhas da
mesa dos filhos’, mas em vez disso receberam a promessa que dizia: “Até
eles darei na minha casa e dentro dos meus muros um lugar e um nome
melhor do que o de filhos e filhas; Dar-lhes-ei um nome eterno, que não
será apagado.” E da promessa que se segue: “O Senhor Deus, que reúne os
rejeitados de Israel, diz: Reunirei outros a ele, além daqueles que
estão reunidos a ele”. (Isaías 56:5; compare também a profecia relativa
à tarefa do Messias de reunir os gentios em Isaías 49:5-9). Entretanto,
neste meio tempo, a nação como um todo permanece temporariamente nas
garras da apostasia e do julgamento sob uma condição soberanamente
ordenada de cegueira e endurecimento. Provocativamente, e por desígnio
divino, o mistério é ao mesmo tempo um instrumento de bênção e de
julgamento. É bondade para todos os que, por revelação, percebem a
sabedoria disso, mas, paradoxalmente, para aqueles que ‘tropeçam’, o
próprio dispositivo preparado para abençoar torna-se ele próprio ‘uma
armadilha e um laço’ (Is.8:14-15; Rom. 9:32-33; 11:9,11 com Sal.69:22
compare também 1Pe.2:4-8; Mt.21:42,44 com Sal.118:22; Isa.28:16 à luz de
Lc. 7:19,23) o presságio da “severidade” judicial (Romanos 11:22). É,
embora disfarçado e mal estimado pela prudência da época, o completo
‘resumo’ das ‘riquezas ocultas’ e ‘insondáveis’ da ‘multiforme sabedoria
de Deus’ (1Co 1:18-23; 2: 7; Efésios 3:8-10; Col.2:2-3 com Efésios
1:9-10).

Que os gentios seriam abençoados na semente de Abraão era bem
conhecido, mas esta expectativa estava naturalmente associada ao tempo
da restauração nacional de Israel no fim dos tempos. Que deveria haver
uma ‘chamada dos gentios’ antes ‘daquele dia’, e como resultado do maior
‘tropeço’ de Israel, era um mistério de proporções surpreendentes.
(Rom.9:32 e Isa.8:14-17; mas veja Deut.32:20-21; Ez.39:24,29 com
Mt.21:43 e Rom.10:19) Somente uma revelação vindo com o atestado e a
confirmação mais fortes poderiam ter convencido a multidão de peregrinos
reunidos no Pentecostes (Atos 2) e como ocorreu na conversão de
Paulo.

Então era comum a expectativa de que o dom do Espírito seria
concedido em conexão imediata com a chegada da redenção messiânica. Mas
que esta graça aparecesse antes do Dia do Senhor para reunir um
remanescente escatológico (uma ‘igreja’) dentre os gentios, enquanto a
nação eleita é deixada no exílio e sob julgamento (Is.49:4-7) foi , e
permanece, um mistério de imenso grau. A questão de Jesus é a questão de
saber se o evangelho é ou não a revelação de um mistério pré-existente
nos escritos proféticos do Antigo Testamento. (Efésios 6:18; Romanos
16:25-26; 1Coríntios 2:7-8; 15:1-5; Atos 26:22; Romanos 1:5; Gálatas
1:11; Col.4: 3; Efésios 3:4-9 com Romanos 11:25-29; especialmente Isaías
8:14-17.) Esta questão suprema contém a chave para a compreensão da
ruptura histórica entre igreja e sinagoga. Será que Deus realmente
ocultou o evangelho predito em mistério até o tempo pré-determinado de
cumprimento e revelação? E Deus, ao fazê-lo, efetuou ao mesmo tempo um
duplo propósito de julgamento e salvação?

Portanto, quando a igreja, num desrespeito ilegal pelo significado
claro da linguagem, reinterpreta as promessas do Antigo Testamento
excluindo a esperança nacional e histórica, ela perde completamente a
sabedoria e a estratégia do mistério e torna-se assim “sábia nos seus
próprios conceitos” (Ro.11:25). No entanto, o fato de os judeus
ignorarem o testemunho do Novo Testamento é igualmente presunçoso,
omitindo arbitrariamente provas históricas viáveis ​​que podem conter uma
chave de compreensão que é completamente diferente daquela que tem sido
historicamente representada pela cristandade nominal.

O
abandono da Igreja em relação a Israel: um sintoma de apostasia

O fracasso da Igreja em compreender o significado teológico do
Holocausto não é mais estranho do que a sua relutância em reconhecer o
evento mais profeticamente carregado que ocorreu desde a destruição de
Jerusalém em 70 d.C., especificamente, a reintegração de posse de Eretz
Yisrael, e a formação no seu solo de um estado judeu. A reticência da
igreja em relação à importância deste sinal moderno é ao mesmo tempo
espiritualmente obtusa e uma declaração da dispendiosa ignorância da
igreja sobre o próprio mistério que é calculado para salvá-la da
arrogância do humanismo (Ro.11:25). É mais do que uma ignorância
vencível; trai uma disposição que não vê incongruência no caráter divino
se o fracasso de Israel for definitivo. Mas, “será que tropeçaram para
cair?” “Deus me livre!” é a resposta apostólica que a maior parte
daquilo que se autodenomina igreja ignorou para sua perda eterna
(Romanos 11:11).

Enquanto a igreja espera recuperar a sua consciência original do
papel de Israel na redenção mundial, as nações estão condenadas a
definhar sob a dominação demoníaca até que Israel chegue a compreender o
Yom Kippur à luz da cruz (Zacarias 12:10). A súbita e poderosa irrupção
da revelação deste mistério responderá finalmente à pergunta do profeta
“deverá nascer uma nação num dia?” (Is.66:8).

A tarefa escatológica da
Igreja

Uma dimensão crucial da vocação escatológica da Igreja permanece
virtualmente inexplorada e aguarda um cumprimento vital. É o chamado da
igreja modelar diante da Diáspora Judaica a presença da Glória Shekinah
que partiu através do poder do Espírito prometido e assim levar Israel à
emulação. Assim, poderíamos dizer que a ‘justificação’ (regeneração
nacional) de Israel espera pela ‘santificação’ da Igreja, e a paz
mundial pela ressurreição da nação caída. Para este fim, Paulo trabalhou
infatigavelmente, para que através de uma igreja madura (que é sempre
uma igreja mártir), Israel pudesse ficar impressionado com o seu elo
perdido. Paulo não era do tipo que ficava aquém do objetivo, sabendo que
a chave para Israel é a igreja, e a chave para as nações é Israel.
Portanto, quando a igreja, em sua “plenitude” corporativa, consegue
levar Israel à emulação, ela atinge também a conclusão desta era.

Esta é manifestamente a percepção paulina da estratégia divina. Paulo
reconheceu, como devemos, que enquanto Israel definhar na alienação e na
incredulidade, o mundo também deverá fazê-lo. Não é recomendado como uma
panaceia, mas não podemos considerar que a anemia da igreja no
evangelismo deriva em parte da sua negligência do padrão apostólico de
ir “primeiro ao judeu”. A igreja aprendeu suficientemente bem que “nem
todos os que são de Israel são Israel”, mas será necessária uma
demonstração histórica numa escala sem precedentes para convencer Israel
de que ‘nem todos os que são da igreja são igreja’.

É uma ironia profética que o grito de guerra do nacional-sionismo
seja “nunca mais!” quando, infelizmente, mais uma vez, em um teste final
(“dores de parto do Messias”), Israel será lançado no deserto das nações
(Ez 20), onde desta vez uma igreja profeticamente preparada (Ap 12:6)
estará esperando para dar a sua vida pelo restante sitiado, que em breve
se tornará uma nação santa. Quando o reino for restaurado a Israel após
uma purificação pelo fogo, a criação terá o seu Jubileu de descanso.

“O que será recebê-los novamente senão vida dentre os
mortos.”

Este artigo é um trecho de The Historic Impasse Between Church &
Synagogue, de Reggie Kelly. O artigo completo está disponível aqui.

Copyright Reggie Kelly, janeiro de 2002. Todos os direitos
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