Categoria: Apocalipse

  • Apocalipse 18 – A Queda da Babilônia

    Podemos entender que a visão do capítulo 17 aponta para o meio dos 7
    anos com o primeiro ataque do Anticristo a Jerusalém e possíveis outras
    cidades no mundo que representam essa sistema corrupto de relacionamento
    com Deus. Agora temos no capitulo 18 o anúncio da destruição final, se
    por um lado no capitulo anterior a ira para destruição da “Babilônia”
    vinha do Anticristo, do Falso Profeta e dos 10 Chifres, agora nesse
    capitulo o julgamento final vem do próprio Deus ou em uma descrição mais
    direta o retorno de Jesus Cristo a terra.

    Esse capítulo traz uma linguagem econômica da Babilônia, porém não
    podemos relacionar isso diretamente com Nova Iorque e/ou Londres com
    suas Bolsas de Valores negociando trilhões todos os dias. O contexto
    econômico da visão esta intrinsecamente conectado com a religião, ou
    seja, o uso da religião para manipular e controlar o mundo e seus
    recursos. O capítulo como um todo consiste em uma serie de vozes
    celebrando ou lamentando o resultado da devastação da cidade ou cidades,
    pois isso inclui Jerusalém mas também todas as cidades do mundo que são
    promiscuas em seu relacionamendo regligioso com Deus.

    A visão trás mais informações daquilo que Deus já havia anunciado em
    Ap. 14:8 e Ap. 16:19-21. O entendimento que a salvação é através de
    obras é a pedra de sustento para o conceito religioso babilônico. O
    desejo de glorificar a si mesmo e suas conquistas, mais do que a Deus
    que criou todas as coisas é a base para entendermos esse comercio
    descrito por João. Esse foi o fundamento da Torre de Babel em Gen 11:4,
    construir um nome para nós mesmos.

    Entender que Deus está destruindo mais do que uma cidade literal,
    seja Jerusalém, Roma, Nova Iorque ou qualquer outra cidade ocidental,
    mas uma estrutura religiosa que tem sua essência satânica que tem sido
    promovida ao longo da historia onde o centro é o homem e as suas
    necessidades.

    Aqui temos João tendo uma visão de um Anjo que possivelmente seja a
    descrição de Jesus. Se assim for, ele está descrevendo o momento do
    retorno de Jesus Cristo, também chamado pelos profetas como o Dia do
    Senhor

    1. A Queda
    Anunciada de Babilônia (Apocalipse 18:1-3)

    Um anjo proclama a queda de Babilônia, descrevendo-a como um lugar de
    corrupção espiritual, habitada por demônios, onde as nações se
    embriagaram com sua imoralidade e os mercadores enriqueceram com seu
    luxo. Jerusalém, como centro espiritual que se desviou, e o sistema
    religioso cristão global, que se prostituiu com o poder e a riqueza do
    mundo, são julgados por Deus. A “embriaguez das nações” reflete a
    influência corruptora desse sistema. A um grande desafio interpretativo
    olhar para uma cidade deveria habitar a presença de Deus e o texto
    declara “morada de demônios”. Talvez um entendimento para isso podemos
    tirar de Eze 8 quando Ezequiel é levado em espírito ao Templo em
    Jerusalém para ver toda a adoração a outros deuses (demônios) e que a
    presença de Deus havia deixado o templo. Também baseado em Daniel 11:45,
    pode ser que o Anticristo faça de Jerusalém ou área próxima sua
    habitação a partir dos últimos 3,5 anos.

    Isaías 1:21: “Como se tornou prostituta a cidade fiel! Ela, que
    estava cheia de justiça e onde habitava a retidão, agora está cheia de
    assassinos.” Jerusalém, outrora fiel, é acusada de apostasia, um
    paralelo com a Babilônia de Apocalipse 18.

    2. O Chamado
    para Sair de Babilônia (Apocalipse 18:4-8)

    Uma voz do céu ordena que o povo de Deus saía da Babilônia para não
    participar de seus pecados, pois seus crimes se acumularam até o céu.
    Ela se gloria em sua arrogância, mas será julgada rapidamente. O pedido
    do versículo 4 é ainda mais desafiador, pois vem uma ordem de Deus para
    sair do meio da Babilônia.

    João aqui está recitando as palavras de Jer 50:8. Lendo Jeremias
    podemos entender que o contexto não está diretamente associado a
    Babilônia dos Caldeus, pois ele mesmo havia declarado ao povo em Jer
    29:5 para Israel habitar em paz na Babilônia: Edifiquem casas, plantai e
    gerai filhos… e procurai a paz da cidade.

    Por outro lado, Jesus diz em Mat 24:16 para os judeus deixarem
    Jerusalém e em Zac 14:5 basicamente no retorno de Jesus é dado voz para
    fugirem da cidade. Poderia ser esse também um chamado para os cristãos
    saírem de um sistema religioso corrupto que eleva a exaltação do homem e
    a busca incessante dos prazeres desse mundo?

    O ponto importante a ser entendido que esse comando para sair não é
    dado ao mundo, ao ímpio ou perdido em seus caminhos. Pelo contrario, o
    texto diz MEU POVO que somente pode ser compreendido pelos judeus
    remanescentes que o Senhor decidiu salvar na vida de Cristo ou aos
    verdadeiros cristãos que foram selados com o Espírito Santo.

    Outro ponto muito importante para entender o contexto está na ordem
    de Deus: pagai-lhe em dobro”. Esse é um castigo presente nos profetas
    para Israel descrito em Isa 40:2 e Jer 16:18; 17:18. Essa foi a promessa
    de castigo em dobro que Deus derramaria sobre o povo de Israel por sua
    desobediência a aliança. Ainda mais, o texto de Isaías descreve a vinda
    do Senhor consolando o seu povo depois do castigo em dobro. Da mesma
    forma, Deus prometeu a Israel bênção em dobro em Isa 61:7 depois de
    serem restaurados.

    Isaías 47:8-9: “Agora, pois, ouve isto, tu que vives em delícias, que
    dizes no teu coração: Eu sou, e não há outra além de mim; não ficarei
    viúva, nem conhecerei a perda de filhos. Mas estas duas coisas te
    sobrevirão num momento, num só dia.” A arrogância da Babilônia em
    Apocalipse ecoa a da Babilônia histórica, aqui aplicada a uma Jerusalém
    que se vê como inabalável. Esse sempre foi o grande conflito do povo
    judeu a sua autossuficiência, ao confiar que por ser povo escolhido se
    tornaram arrogantes. Eze 16:15 traz esse repreensão de Deus: você
    confiou na sua formosura e por isso se entregou a lascívia.

    Isa 9:10 declara o desafio arrogante do povo: os tijolos ruíram por
    terra, mas tornaremos a edificar com pedras lavradas”. O povo resistindo
    a repreensão do Senhor.

    Agora a pergunta, a igreja contemporânea como povo escolhido
    de Deus, tem agido de maneira diferente? O que Jesus diz a igreja de
    Laodicea:

    Apoc 3:17 – pois dizes: estou rico e abastado e não preciso de coisa
    alguma, porém não sabes que tu és infeliz, miserável, pobre, cego e
    nu.

    Bem como a repreensão que Jesus faz as igrejas de Tiatira e Pergamo
    pela sua prostituição, que infelizmente muitas vezes é interpretada por
    pregadores apenas como imoralidade sexual, mas o contexto está alinhado
    a uma vida relacional com Deus associado com os prazeres desse mundo, o
    que Paulo chama de idolatria em Col 3:5. Essa realidade permeia
    as cartas de Paulo sempre exortando que muitos que estavam no meio da
    igreja “buscam o seu próprio interesse”.

    Esse foi o propósito inicial do homem em Babel, “construir um nome
    para si”e infelizmente continua permeando nossas igrejas e nossos
    próprios corações, um incansável desejo ao sucesso, auto-exaltação e
    fazer de mim ou da minha igreja algo grande, mas nos enganamos quando
    dizemos que fazemos isso por Jesus. Como 1 Pe 4:17 afirma que juízo de
    Deus começará pela igreja. Deus limpará sua videira.

    No fim, ocorre a destruição da estrutura física de Jerusalém alinhado
    com Os 2:3, Jer 10:25, Isa 47:8, Miq 3:3 entre outros para a
    reconstrução de uma nova Jerusalém pura no período milenar. Não podemos
    esquecer dos textos que afirmam a completa mudança geológica acontecendo
    em Jerusalém na volta e Jesus através de um grande terremoto. Ezequiel
    40-48, mostra uma geografia completamente diferente para a cidade dentro
    do período Milenar do que temos atualmente em Israel.

    3. O
    Lamento dos Reis, Mercadores e Navegadores (Ap. 18:9-19):

    Os reis da terra, os mercadores e os que vivem do mar lamentam a
    destruição da Babilônia, chorando a perda de sua riqueza, luxo e
    comércio. Talvez esse seja o ponto mais controverso para definir de
    Jerusalém com a Babilônia, pela vastidão da natureza do comércio aqui
    descrito e sua influência sobre a economia do mundo.

    Importante entender o contexto que João está fazendo sobre esse
    comércio, para não cairmos no erro de tentar identificar dentro dos dias
    de hoje, pois nenhum pais/cidade se qualificaria a esse nível de
    comércio mundial.

    Porém claramente ele está usando os oráculos de Ezequiel 26 e 27 que
    tratam do comércio de Tiro. O lamento sobre a queda de Tiro e a
    descrição do seu comércio com certeza foram inspirações proféticas de
    João.

    Agora, a chave para entender esse oráculo está em Ezequiel 28, onde o
    profeta faz desse lamento da terra diante da queda de Satanás e seu
    comércio que fazia com a terra. Assim, a descrição do comércio de
    Apocalipse 18 não está associado a bens físicos e commodities, mas o que
    está sendo “traficado” é uma mercadoria espiritual.

    O termo grego usado em Ap. 18 somente aparece no Novo Testamento na
    Parabola da Pérola, onde Jesus explica que alguém está
    fazendo comércio de tudo que tem pela entrada no reino dos céus.
    Logicamente, Jesus não está referindo a uso de dinheiro mas o fato de
    negar-se a realidade desse mundo por algo superior, a vida eterna. Jesus
    usa esse mesmo entendimento sobre comprar em João 6:44 e em Ap. 3:18
    quando aconselha a igreja de Laodicéia a comprar ouro refinado pelo
    fogo. Mesma mensagem de Isa 55:1 compre coisas espirituais, sem
    dinheiro, mas com a renúncia do seu coração.

    O que está se negociando é algo muito maior do que bens físicos e
    materiais, mas a troca de algo eterno por algo momentâneo e prazeroso
    desse mundo. Essa foi a decisão de Esaú descrita em Hebreus 12:16, que
    troca a promessa futura por um prazer imediato.

    Essa foi a oferta de Satanás na tentação a Jesus, não há necessidade
    de passar por tribulações e provas nesse mundo por uma promessa futura,
    mas aproveite e viva intensamente agora.

    Assim concluímos, que o julgamento derramado aqui é sobre uma
    idolatria que negocia sua adoração em busca do materialismo desse mundo.
    Essa era a essência que permeava a busca de Israel da antiguidade em
    adorar deuses das nações vizinhas mais prósperas e ricas que Israel.
    Entretanto, essa idolatria hoje permeia nas igrejas cristãs que buscam
    incessantemente um “comércio” de troca com Deus para buscar sucesso e
    prosperidade dizendo que estão fazendo isso em nome de Deus.

    Jerusalém e essa estrutura religiosa espalhada sobre a terra serão
    julgadas pela sua infidelidade com Deus pois sua adoração idolatra é
    baseada em um comércio mundano. Como Jesus disse: vocês transformaram a
    Casa de meu Pai em um covil de ladrões.

    Ezequiel 27:29-36: No lamento pela queda de Tiro, os marinheiros e
    mercadores choram: “Quem jamais se igualou a Tiro? […] Os reis da terra
    se enriqueceram com a abundância do teu comércio.” A descrição do
    colapso econômico de Tiro é um paralelo direto ao lamento por Babilônia,
    sugerindo que Jerusalém, como centro de adoração idólatra, bem como
    grandes segmentos dentro da igreja cristã tem negociado sua
    adoração.

    Obs: Para um maior entendimento sobre o comércio espiritual de
    Apocalipse 18 recomendamos a leitura da tese de Iain Provan.
    Iain Provan, “Foul Spirits, Fornication and Finance: Revelation 18 From
    an Old Testament

    4. A
    Destruição Final e o Júbilo Celestial (Apocalipse 18:20-24)

    Talvez um dos pontos mais claros para conectar a Babilônia com a
    cidade de Jerusalém está na descrição profética de Jesus dela ter
    derramado o sangue dos profetas e dos escolhidos de Deus descrito em
    Mateus 23:34 à 37. Apesar de Roma ter perseguido cristãos e atualmente
    muçulmanos radicais também o fazem, é impossível associar
    responsabilidade aos profetas do antigo testamento.

    Porém o contexto também responsabiliza o sangue inocente derramado
    diante da graça esperada de Jerusalém e da igreja quando olhamos a luz
    da profecia de Ezequiel 3:18. Tanto Israel como a igreja foram chamados
    para ser luz para as nações e instrumento de cuidado das ovelhas.
    Infelizmente hoje parte da igreja tem devorado as próprias ovelhas e
    deixadas abandonadas como o profeta Ezequiel 34 previu esse
    abandono.

    Os céus, os santos e os apóstolos são chamados a se alegrar com a
    destruição de Babilônia, que é lançada ao mar como uma pedra de moinho.
    Ela é condenada por enganar as nações e pelo sangue dos profetas e
    santos.

    A queda de Jerusalém e do sistema que se diz cristão, mas é apostáta
    são definitivas, trazendo justiça aos fiéis perseguidos. O “sangue dos
    profetas” aponta para a culpa histórica de Jerusalém e sua extensão ao
    cristianismo corrompido.

    Finalmente, a condenação e destruição final apontam para uma
    Jerusalém imoral e idolatra. Esta não será reconstruida e nunca mais
    encontrada. Entretanto, com o retorno de Jesus e seu reinado milenar há
    promessa da construção de uma nova Jerusalém nos padrões estabelecidos
    por uma nova topografia conforme descrita em Ezequiel 40-48

    Assim concluímos, sobre essa perspectiva, Apocalipse 18 retrata
    Jerusalém como a “Babilônia” contemporânea, um centro espiritual que se
    corrompeu e deu origem a um sistema religioso cristão global sedento por
    poder e dinheiro. As conexões com o Antigo Testamento — especialmente
    Jeremias 51, Isaías 47 e Ezequiel 27 — mostram que esse julgamento segue
    um padrão divino consistente: cidades ou sistemas que se elevam em
    arrogância, exploram as nações e traem a aliança com Deus enfrentarão a
    destruição total. Jerusalém, que deveria ser “cidade de paz” (Salmo
    122:6) e luz para as nações, torna-se, nessa leitura, o símbolo máximo
    dessa apostasia, enquanto a religião cristã em alguns dos seus meios tem
    compactuado com dois senhores; amplifica sua corrupção pelo mundo, até
    que ambos sejam julgados por Deus.

  • Apocalipse 17 – A Babilônia

    Para início do entendimento sobre a Babilônia, os capítulos 17 e 18
    são intercalados ou seja eles não avançam em uma ordem cronológica. João
    irá descrever detalhes suplementares fora de uma ordem de tempo tratando
    esse tópico do julgamento da Babilônia como um dos principais tópicos de
    Apocalipse.

    A Babilônia representa um sistema de domínio humano sobre a terra.
    Sua origem pode ser traçada desde Genesis 11 com a construção da torre
    de Babel, e talvez aqui esteja o ponto mais importante para nosso
    entendimento, a decisão do homem de buscar salvação pelo seu
    próprio esforço e construir um legado religioso humano.

    Gen 11:4 edifiquemos para nós uma cidade e uma torre que cujo
    topo chegue até os céus, façamos um nome para nós mesmos.

    Ao longo da história várias tentativas têm sido feitas para
    identificar uma cidade que descreva com exatidão as visões proféticas
    descritas aqui. Entre as principais sempre estiveram:

    Roma: por ser o império dominante na época que
    Apocalipse foi escrito e como o próprio Pedro se dirigiu a ela em 1 Pe
    5:13. Outra perspectiva, por ser a cidade papal em seus conflitos entre
    a santidade a Deus e a prostituição de suas estruturas com o mundo.
    Entretanto, isso não seria muito diferente de muitas estruturas
    evangélicas.

    Babilônia Geográfica: alguns estudiosos ao longo da
    história imaginam a reconstrução da cidade original no atual Iraque
    sendo um centro de adoração que se oporia a Deus. Durante o governo de
    Sadam Hussein ouve algumas tentativas de reconstrução como projeto
    turístico. Atualmente a região é um vasto deserto.

    Jerusalém: Alguns importantes intérpretes entendem
    que João está usando várias simbologias para descrever a cidade de
    Jerusalém. Algumas importantes profecias do antigo testamento reforçam
    essa teoria.

    Meca: Muito recentemente um autor, Joel Richardson,
    desenvolveu a teoria da cidade religiosa dos muçulmanos ser a Babilônia
    de Apocalipse. Porém alguns pontos ainda ficam obscuros quanto a esse
    entendimento

    Nova Iorque/Londres: Outras teorias trazem nomes de
    cidades economicamente importantes poderiam ser a Babilônia descrita em
    Apocalipse. Porém eles não carregam o aspecto religioso que claramente
    descrevem essa cidade.

    Um conceito comum é olhar a Babilônia como uma cidade antagônica a
    cidade de Deus. Agostinho foi um dos primeiros a criar o conceito das
    duas cidades, Babilônia e Jerusalém sendo duas cidades espirituais que
    lutam entre si através da história. Sendo que a Babilonia inimiga de
    Deus estaria sendo representada ao longo dos tempos em vários lugares
    como a própria Babilônia, mas também o Egito, Nínive, Roma, entre
    outras. Muitas das teorias de hoje seguem esse conceito. Porém
    uma pergunta importante que não tem uma resposta simples, é se a
    Jerusalém física pode ser considerada a cidade espiritual de
    Deus?

    Assim, vamos caminhar pelas revelações dadas por João para entender
    esse mistério conforme ele mesmo retrata no versículo 5. Vamos defender
    um ponto muito importante para chegarmos a uma conclusão. João tinha o
    claro entendimento de qual é essa cidade e por alguma razão evitou citar
    diretamente mas usou de vários simbolismos alegóricos. Entretanto, ele
    utilizou essa ferramenta em conexão com as profecias do Antigo
    Testamento, onde Deus através dos antigos profetas também utilizou as
    mesmas imagens.

    Por isso, toda interpretação da palavra profética do fim dos tempos
    precisa ser entendida a luz da própria palavra de Deus. Como diz, a
    bíblia explica a bíblia. Um erro grave é sair do contexto bíblico e
    olhar para a geopolítica dos dias de hoje para “forçar” um entendimento.
    Vamos conseguir identificar que João reproduziu oráculos
    proféticos
    importantes como Jeremias 50 e 51 que profetiza
    sobre a Babilônia bem como Ezequiel 23 à 28 que profetiza sobre a
    destruição de Tiro como cidade econômica.

    Antes de cobrirmos os versículos do capítulo 17, podemos afirmar duas
    coisas com clareza assertivas do contexto:

    1. Simbolismo: Inquestionavelmente o nome Babilônia
      é um símbolo usado por João para identificar a característica de uma
      cidade especifica na terra que age ao longo da história que usufrui da
      autoridade e poder na terra.

    2. Religioso: Apesar do contexto geográfico de uma
      cidade o texto deixa muito claro o fator de um sistema religioso que
      manipula e negocia sobre o poder na terra. Assim, não podemos definir
      por poder econômico mas por religiosidade, pois é isso que ela no fim
      negocia. Entretanto, esse sistema religioso se relaciona com Deus de
      alguma forma.

    O início da descrição diz que ela é uma meretriz, ou seja uma
    prostituta e mais a frente vai dizer que ela é a** Mãe das Meretrizes**
    da terra. Apesar, do contexto da linguagem ser de imoralidade sexual, o
    texto está apontando para uma personificação espiritual de fornicação ou
    ainda de idolatria espiritual. O fato de estar assentada sobre muitas
    águas não traz um contexto geográfico como os rios que cercavam a
    Babilônia ou outras interpretações de ser Roma chamada “cidade das
    águas”. O próprio texto vai explicar no versículo 15 que essas águas são
    povos e nações. Assim, essa cultura religiosa promíscua influencia todas
    as nações da terra.

    Vamos então tentar buscar entendimento dos principais símbolos usados
    por João:

    1. Muitas Águas: Uma interpretação errônea é olhar
      uma cidade construída sobre águas ou rios como muitos associam a ser
      Roma e seus rios ou Nova Iorque banhada pelas muitas águas. Sim, a
      antiga cidade da Babilônia fluía o rio Eufrates e traz essa figura.
      Entretanto, o contexto bíblico traz a imagem da influência sobre muitos
      povos (Isa 17:13). No próprio versículo 15 João explica que essas muitas
      águas são nações da terra. Em Ezequiel 17 o profeta diz que Jerusalém
      foi plantada como videira do Senhor sobre muitas águas para influenciar
      as nações da terra, mas se torna uma má influencia.

    2. Besta: A figura do Anticristo com suas 7 cabeças
      (7 impérios que dominaram Israel) e 10 chifres (a liga de 10 nações que
      darão suporte ao Anticristo)

    3. Mulher assentada: o sistema babilônico se
      aproveita dos grandes impérios da terra para se prostituir com eles. Em
      lugar de manter-se fiéis aos seus valores como uma esposa fiel, ela
      decide se beneficiar dos seus dominadores. Um contexto histórico lembra
      a segunda guerra quando a Alemanha invadiu a Franca e mulheres franceses
      se aproveitaram desse domínio para seu benefício. Quando a Alemanha foi
      derrotada essas mulheres foram expostas como prostitutas.

    Obs.: Importante destacar que o Anticristo a odeia e no final a
    destruirá conforme versículo 16.

    1. Vestimenta da mulher: João traz uma descrição em
      código das vestimentas desse espírito babilônico: púrpura e de escarlata
      (carmesim), adornada de ouro, de pedras preciosas. Essa era a típica
      vestimenta do Sumo Sacerdote conforme Exodo 28:15. Alguns tentam
      associar as vestimentas papais da atualidade.

    2. Cálice de Ouro: Era objeto usado no processo de
      libação, ato final do sacrifícios oferecidos ao Senhor, onde usava-se
      uma mistura de vinho e óleos aromáticos sobre o altar. Subia um cheiro
      característico como uma oferta final a Deus. Paulo menciona isso em 2
      Tim 4:6 Aqui no contexto essa oferta está contaminada com um culto ao
      Senhor que parece glorioso, mas está contaminado por falta de
      santidade.

    3. Nome Escrito: Alguns estudiosos associam as
      prostitutas da época romana tinham seus nomes escritos como
      identificação publica. Outra associação é feita ao sumo sacerdote que
      tinha uma placa de ouro sobre a testa dizendo Santidade ao Senhor. O
      fato de João chamar de um mistério o nome Babilônia, traz o contexto de
      algo não revelado diretamente ou seja, está usando um codinome para uma
      outra cidade. Em 3 diferentes profetas Deus chama Jerusalém de cidade
      apóstata, Isa 1:10, Jer 23:14 e Eze 16:44.

    4. Grande Prostituta: Deus relaciona prostituição
      com aqueles que dizem que adoram a Ele mas também buscam outros “deuses”
      ou buscam satisfação para sua alma com os prazeres do mundo. Alguém não
      pode cometer adultério ou prostituição com Deus se não estiver em
      aliança com Ele. O Livro de Oséias é o tema disso de um relacionamento
      promíscuo de Israel com Deus e prazeres dos deuses estrangeiros. É digno
      de nota que Tiro e Nínive – as duas únicas cidades fora de Israel que
      são acusadas de prostituição estavam ambas em aliança com Deus. Tiro na
      época de Davi e Salomão foi convertida à adoração do Deus verdadeiro, e
      seu rei fez uma aliança com Salomão e ajudou na construção do Templo (1
      Reis 5:1-12; 9:13; Amós 1:9); Nínive foi convertida sob o ministério de
      Jonas (Jn 3:5–10).

    Ezequiel 18:15 Deus chama Jerusalém de prostituta
    Ezequiel 18:32 Deus a chama de adúltera
    Ezequiel 18:16 Deus diz que esse tipo de prostituição nunca tinha
    acontecido
    Ezequiel 18:20 Diz que derramou o sangue dos filhos do senhor
    Apocalipse 11:8 Chama Jerusalém de Sodoma e grande cidade
    Mateus 11:20 Jesus diz que Sodoma será menos castigada que Cafarnaum
    pelos milagres feitos
    Isaias 1:25 Deus chama Jerusalém de prostituta e que se voltará contra
    ela no versículo 13 Ele diz não tragam suas ofertas contaminadas
    (adoração promiscua)
    Oseias 4:11 chama Israel de prostituta e que um espírito de prostituição
    os enganou. Repete isso em Oseias 5:4

    1. Mãe das Meretrizes: A revelação de João aqui é
      profunda, pois ela não é apenas uma prostituta, mas a origem de todas as
      prostituições religiosas da terra. Deus sempre denominou através dos
      profetas a prostituição como a infidelidade da ALIANÇA com Ele. Ninguém
      pode cometer adultério com Deus se não estiver em aliança com Ele, isso
      serve para Israel e para a igreja.

    Uma interpretação mais provável é que “Babilônia, a grande” é
    realmente um codinome para Jerusalém. Isso implicaria que o Anticristo
    (a Besta) e os dez reis terão um relacionamento muito próximo com a
    Jerusalém literal (apóstata) durante a Tribulação. Já que Apocalipse
    17:18 diz “a mulher que viste é a grande cidade, que reina sobre os reis
    da terra”, isso pode implicar que Jerusalém servirá como capital para o
    Anticristo durante a Tribulação. Porém sua intuição é a destruição
    dela.

    Digno de nota: em Isa 14:13 entende-se como um profecia sobre Satanás
    onde descreve que seu desejo é assentar no monte da congregação, ou seja
    o Monte Sião em Jerusalém.

    Argumentos em Apoio à Futura Interpretação da Jerusalém Apóstata.

    1. As 7 Cabeças: Já exploramos isso em passagens
      anteriores, mas esses são os impérios humanos que tiveram domínio sobre
      Israel. Os 5 primeiros que já caíram foram o Egito, Assíria, Babilônia,
      Pérsia e a Grécia. O que João diz que existe era Roma que dominava
      Israel. O 7 que ele diz que ainda não chegou e durará pouco é a liga dos
      10 países ou 10 chifres; e seu rei o Anticristo (Oitavo rei). O fato de
      a mulher (Babilônia) se assentar sobre esses impérios pode estar
      relacionado a promiscuidade religiosa de honrar a Deus por um lado mas
      também aceitar as culturas dominantes do mundo. A ordem de Deus tanto
      para ISRAEL como para a IGREJA é de não se contaminar com as coisas do
      mundo.

    2. Os 10 Chifres e a Besta: Os 10 chifres
      representam os mesmos do livro de Daniel e são 10 nações que se unem com
      um propósito: destruir a Babilônia. Eles dão o seu poder ou aceitam o
      domínio do Anticristo pois ele tem o mesmo objetivo, destruir Israel.
      Daniel 11:28 diz que o Anticristo odiará a aliança de Deus, Israel. O
      Anticristo entrará em Jerusalém com seus exércitos no meio dos 7 anos.
      (Zac 14:2, Dan 8:11)

    3. Domina sobre os Reis da Terra: Jerusalém tem
      sido motivo de conflitos ao longo de vários milênios, pelos hebreus e
      vários povos, cristãos e otomanos, e nos últimos dois séculos tem sido o
      centro de controvérsias mundiais. Na perspectiva celestial Jerusalém é a
      glória das nações (Salmos 48:2). Da mesma maneira que João a chamou de a
      grande cidade em Apoc. 11:8, mesmo que naquele momento Roma era a cidade
      imperial e dominava Israel, ele estava falando em um contexto teológico,
      Jerusalém é a capital espiritual do mundo. Em Ezequiel 5:5 Deus chama
      Jerusalém de centro do mundo.

    4. A Grande Cidade: A cidade é frequentemente
      chamada de “a grande cidade” em Apoc. 17:18 e 18:10. Em Apocalipse 11:8,
      as mesmas palavras são usadas para descrever Jerusalém: “a grande
      cidade… onde também seu Senhor foi crucificado.” No entanto, não é
      apenas a repetição das palavras que argumenta a favor de sua equação. Na
      passagem anterior, a Besta (o Anticristo) está obviamente envolvida em
      Jerusalém (veja 11:7), assim como a Besta em Ap 17:3 está claramente
      associada à cidade prostituta. Isso argumenta a favor do rótulo “a
      grande cidade” sendo usado em ambos os contextos do mesmo local, ou
      seja, Jerusalém.

    Em um contexto muito importante o texto diz que tanto os 10
    Chifres e a Besta se alinham por causa de um mesmo pensamento ou
    propósito e no versículo 16 dizem que por causa do seu ódio irão
    destruir e devastar a cidade “Babilônia”. Isso pode estar alinhado com
    Daniel 9:26 e Zac 14:1 que falam da invasão e destruição da cidade de
    Jerusalém no fim dos 7 anos.

    Lemos em Apoc. 16:19: “A grande cidade foi fendida em três partes, e
    as cidades das nações caíram. Então, Deus lembrou-se da grande
    Babilônia, para lhe dar o cálice do vinho da sua ardente ira.” O fato de
    que “a grande cidade” ser distinta de “as cidades das nações” faz todo o
    sentido, se “a grande cidade” é Jerusalém.

    Apocalipse 17:5 indica que o nome da cidade, Babilônia, a Grande, é
    um “mistério”, o que implica que seu nome real é algo diferente. Se
    assim for, isso estaria de acordo com os nomes não literais dados a
    Jerusalém em Apocalipse 11:8: “a grande cidade que espiritualmente é
    chamada Sodoma e Egito, onde também seu Senhor foi crucificado.”

    Na acusação de Isaías a Israel, ele escreveu: “Ouvi a palavra do
    Senhor, vós, governantes de Sodoma, dai ouvidos à instrução do nosso
    Deus, vós, povo de Gomorra” (Isa 1:10; 3:9; Jr 23:14; Ez 16:44-58). Dado
    que o princípio de “substituição de nome” já havia sido estabelecido em
    Ap 11:8, é muito legítimo hermeneuticamente entender que Jerusalém pode
    ter recebido o pseudônimo de “Babilônia” em Ap 17–18 e que, ao fazê-lo,
    o Espírito Santo está comparando Jerusalém à cidade tão famosa por
    idolatria e maldade (ou seja, Babilônia, a cidade que outrora serviu
    como capital do mundo).

    Com todo esse contexto bíblico suportamos a opinião que
    Jerusalém é essa cidade descrita por João mas seu contexto expande para
    toda cultura religiosa cristã promiscua, que por um lado digo que amo a
    Deus, mas tenho meu coração atraído ao poder/riqueza desse mundo
    negociando com Deus através de ofertas e sacrifícios. Isso está presente
    dentro de diversas igrejas que usam de estratégias mundanas para
    crescimento e poder; apesar de usarem o nome de Deus ou seja o
    relacionamento religioso promiscuo de grande parte de Israel com Deus e
    prazeres do mundo está muito presente em muitas igrejas que se denominam
    cristãs.

  • Apocalipse 15 E 16 – O derramar da ira de Deus

    O capítulo 14 terminou com a colheitas dos santos e a destruição dos
    inimigos de Deus e o capítulo 15 aparece novamente como um interlúdio de
    tempo. Assim, como o capítulo 11 termina com a sétima trombeta que
    anuncia a volta de Jesus e depois no capítulo 12 temos outro interlúdio
    que volta no tempo.

    Essa grande visão de Joao inicia o processo final de julgamento de
    Deus, estamos chegando ao fim da chamada última semana de Daniel ou o
    final dos 7 anos. Entendemos que essa visão traz cronologicamente alguns
    meses antes do grande dia da volta de Jesus. Os simbolismos de taças
    trazem esse contexto de algo sendo derramado e atingindo rapidamente a
    terra.

    No versículo 2 temos novamente uma visão da sala do trono como em Ap.
    4:6 e Ezequiel 1:26. Também quando Moises e os 70 anciões estão diante
    de Deus existe esse mar de safira em Ex 24:10. Nesse momento
    vemos os mártires mortos (vencem a besta conforme Ap.
    12:11) na grande tribulação adorando a Deus algo semelhante a Ap. 6:10 e
    Ap. 7:9-14. Ao entoar o cântico de Moisés pode estar referenciando ao
    Êxodo 15 pois é uma canção de vitória entoado na libertação do povo do
    Egito. Ela também se torna a Canção do Cordeiro o grande libertador do
    povo de Deus.

    A visão seguinte a partir do versículo 5, João vê novamente a
    Assembleia de Deus reunida para o processo final de julgamento na terra.
    A glória manifesta nessa visão nos remete a Antigo Testamento em Ex.
    40:34, 1 Rs 8:10 e Isa 6:4. Interessante notar a conexão das
    taças de ouro com as orações dos santos em Ap. 5:8
    . Alguns
    intérpretes entendem uma conexão aqui do clamor do povo e a resposta de
    Deus. Lembramos também o texto de Ap. 6:10 o clamor dos mártires: até
    quando Tu não julgas e vinga o nosso sangue sobre os que habitam a
    terra?

    Os julgamentos das taças que se seguem têm muitas semelhanças com as
    pragas que Deus enviou ao Egito, como veremos. Essas similaridades
    sugerem que o propósito de Deus é punir os idólatras seguidores da besta
    e preparar a terra para as futuras bênçãos. Possivelmente a
    igreja e Israel será sobrenaturalmente protegida por Deus
    nesse
    curto período como fez em Gosén.

    É dado a 7 anjos sete taças cheias da ira de Deus, o fato que da voz
    vir direta do santuário pode indicar o próprio Deus ordenando derramar
    sobre a terra. Isso indica que esses julgamentos serão derramados um em
    sequência ao outro em uma rápida sucessão de tempo. O texto não traz
    indicação de tempo, porém podemos estimar poucos meses pois a Trombeta 5
    fala de um tormento por 5 meses que entendemos que antecedem a vinda de
    Jesus. Assim, cremos que a ira será derramada no meio para o fim desse
    período.

    Abaixo uma descrição das 7 taças ou flagelos:

    7t
  • Apocalipse 14 – A Vitória do Cordeiro e o Evangelho Apocalíptico

    Aqui João faz mais um interlúdio entre as visões das bestas e os
    outros julgamentos que ainda estão por vir. Ele tem uma visão do futuro
    para trazer esperança a aqueles que viverão as perseguições do capítulo
    13, como uma mensagem de vitória e esperança para aqueles que não
    receberam a marca da besta.

    O texto traz a visão de um tempo ainda futuro, o fim da grande
    tribulação quando Jesus retornará a terra. A segunda vinda não acontece
    aqui cronologicamente, ele apenas tem como um “flash” de algo que ainda
    virá no futuro. Aqui Jesus, que é o Cordeiro descrito na visão, está em
    pé no Monte Sião lugar onde reinará eternamente possivelmente por já ter
    vencido seus inimigos (Isa 2:3, Miq. 4:1, Isa 52:1) e diferente da visão
    de Zacarias 14:4 onde Jesus está em pé no Monte das Oliveiras que fica
    do outro lado do vale para batalhar contra seus inimigos.

    topjeru

    Obs.: o primeiro templo foi construído sobre o Monte Moriá (2 Cron.
    3:1) que apenas aparece na bíblia nesse versículo e em Gen. 22:2. Mais
    tarde o Rei Herodes nivelou o vale do Tiropeon
    transformando aquela região em um grande platô do que nos conhecemos
    hoje da região do Monte do Templo. Nos tempos de Jesus toda a área de
    Jerusalém murada era chamada de Monte Sião. Enquanto o
    Monte das Oliveiras fica depois do Vale do
    Hinom
    de onde se avistava o templo.

    Junto com Jesus sobre o monte estão os 114 mil judeus que foram
    selados no capítulo 7 e eles entoavam uma canção que anjos e anciãos não
    conseguiam aprender a cantar, possivelmente por ser algo relacionado a
    gratidão pela redenção e salvação dos pecados, que apenas o homem
    redimido pode exprimir em ação de graças a Jesus. Importante entender
    que os 144 mil estão na terra (corpo físico) junto com Jesus e
    possivelmente o trono da gloria no céu esta “aberto” como Jacó viu em
    Betel em Genesis 28:10.

    Como o texto diz, eles são as primícias de uma grande colheita de
    judeus. Entendo que essa visão está abrindo o período milenar sobre a
    terra, aqui a igreja já foi arrebatada e o restante dos sobreviventes do
    povo de Israel estão cumprindo Zacarias 12:10-11 o período de pranto e
    arrependimento sobre a terra reconhecendo Jesus como seu Messias. Todo
    Israel sobrevivente passará o milênio fisicamente na terra como
    testemunhas as nações. (Isa 66:19-21, Ex. 19:6).

    Evangelho Apocalíptico:

    A partir do versículo 6, João tem uma visão diferente que não podemos
    afirmar em tempo, mas com certeza se refere ao um período que antecede a
    volta de Jesus. Alguns teorizam que essas 4 mensagens serão o evangelho
    apocalíptico que será enfatizado a partir dos últimos 3,5 anos, na
    grande tribulação.

    João está tendo uma visão no reino espiritual. Assim, apesar do texto
    falar em anjos, não acreditamos que anjos serão manifestos para pregarem
    o evangelho na terra, mas sim cristãos perseverantes cheios do Espírito
    Santo proclamarão essa mensagem durante a estação de maior perseguição e
    martírio da história. Podemos identificar 4 mensagens especificas:

    1. O Evangelho eterno: Essa é a mensagem desde a
      criação de todas as coisas, o homem não capaz de salvar a si mesmo,
      precisa se arrepender e voltar a Deus. A graça salvífica. Dar gloria a
      Deus representa exatamente isso, reconheço que sou pecador, vejo os
      atributos de Deus e entro em obediência a sua vontade. A resposta
      positiva a essa mensagem está em Ap. 15:4 e a negativa em Ap.
      16:9.

    2. A queda da Babilônia: A segunda mensagem é um
      anúncio ou proclamação da queda da cidade chamada espiritualmente
      Babilônia. Um chamado para o povo de Deus sair do meio dela Ap. 18:4.
      Vamos explorar mais sobre isso a partir do capítulo 17. O texto aqui não
      deixa claro o momento que isso está acontecendo, mas pode ser a partir
      do meio dos 7 anos, bem antes do fim.

    3. O destino dos que se aliam ao Anticristo: Uma
      terceira mensagem é pronunciada alertando os adoradores da besta sobre o
      seu julgamento eterno, não há mais possibilidade de arrependimento.
      Todos estarão condenados no retorno de Jesus. O propósito deste aviso é
      alertar os potenciais adoradores da besta sobre o seu destino se
      seguirem a besta e encorajar os crentes a permanecerem fiéis a
      Deus
      . Com isso abrimos espaço para um terceiro grupo, que não
      são os santos e nem os seguidores do Anticristo, que de alguma forma
      sobreviverão as calamidades que atingirão a terra.

    4. O galardão aos que perseverarem até a morte por
      Cristo
      : Uma mensagem de perseverança e encorajamento no meio da
      grande tribulação para a igreja. Uma promessa de grande recompensa por
      aqueles que forem chamados ao martírio e a não amarem suas próprias
      vidas. Existem 7 bem-aventuranças no livro de Apocalipse:

    5. Ap. 1:3 – Bênção para os que estudam Apocalipse

    6. Ap. 14:13 – Bênção para os mártires

    7. Ap. 16:15 – Bênção para os vigilantes (parábola das
      virgens)

    8. Ap. 19:9 – Bênção para os eleitos para as Bodas do
      Cordeiro

    9. Ap. 20:6 – Bênção para os recebem corpos eternos na vinda de
      Jesus

    10. Ap. 22:7 – Bênção para os que guardam as palavras de
      Apocalipse

    • Guardar (shamar) essa foi a ordenança para Adão em Gen. 2:15:
      guardar, observar, manter protegido, zelar, meditar em mandamentos,
      separar-se
    1. Ap. 22:14 – Bênção os salvos e que entram na cidade eterna.

    Ao fim do tempo da pregação do evangelho é chegada o tempo das duas
    colheitas. João tem a visão do momento da volta de Jesus onde Ele mesmo
    recolhe o seu povo redimido e também vê a ira o lagar da ira de Deus
    sendo pisado com a destruição dos Seus inimigos. Essa visão não está na
    ordem cronológica do tempo.

    A visão é muito semelhante à de Daniel 7:13-14 sendo Jesus assentado
    sobre as nuvens. Filho do Homem é um título messiânico que Jesus
    utilizou muito nos evangelhos. É o cumprimento do que foi profetizado em
    Ap. 1:7 Ele viria sobre as nuvens e todo olho veria.

    • A Ceifa: a colheita dos salvos e redimidos em Cristo. O momento da
      ressureição dos mortos em Cristo e do arrebatamento dos santos.
    • A Vindima: a colheita dos que seguiram os caminhos do anticristo. e
      das nações que vieram contra Jerusalém. Serão mortos na segunda vinda de
      Cristo Joel 3:12-13, Isa 63, Lam. 1:15, Eze 38. O pisar no lagar fora da
      cidade esta alinhado com a profecia de Joel 3 e o sangue derramado pelo
      vale de Josafá (Possivelmente de Jezreel até próximo mar Morto).

    Obs.: Para estudos mais profundos sobre o evangelho apocalíptico
    recomendamos estudar as pregações do Art Katz.
    https://revelandoofim.com.br/post/evangelismo-apocaliptico-1/

  • Apocalipse 13 – Besta que Surge do Mar: O Anticristo

    O mar é a representação das nações da terra e seus impérios que
    afligiram Israel, porque logo em sua visão Joao traz os mesmos símbolos
    de Daniel: Leopardo, Urso e Leão (ver
    estudo de Daniel
    7
    ). Possivelmente, Daniel e Joao estão tendo visões semelhantes de
    impérios sendo levantados para oprimir Israel. Vários outros impérios
    gentios existiram na terra, mas a bíblia não se preocupou em revelar
    pois não afetaram Israel.

    “eu olhava, e eis os quatro ventos do céu agitavam o grande mar.
    Quatro animais grandes e diferentes subiam do mar”. Daniel 7:2

    O fato de a besta sair do mar, ou mar agitado como diz em Daniel,
    traz o contexto de mudança de domínio na terra e surgimento de um novo
    império. Daniel no capítulo 7 e Ap. 17:11 também fala do aparecimento do
    último império gentio na terra antes da manifestação de Jesus e
    estabelecimento do Reino Messiânico.

    Os símbolos aqui descritos são os mesmos do capítulo 12. João
    da uma continuidade sobre as cabeças serem nações, os chifres o poder
    que está associado a eles e as sete cabeças os impérios levantados na
    terra ao longa de toda história que dominaram Israel. Apesar de trazer
    impérios, aqui a descrição da besta, o Anticristo, é um homem a quem
    Satanás dará a sua autoridade.

    Em Daniel 11, a visão mostrou o surgimento do Anticristo
    desde o início
    do seu aparecimento (7 anos), sem muito poder,
    levantado sem ser uma autoridade real (presidente ou líder de uma
    nação), manipulador e através das guerras vai assumindo domínio e
    conquistando poder através de engano. No caso de João, ele está vendo um
    Anticristo já com muito poder, porque recebe a autoridade do próprio
    Satanás que foi lançado para a terra ou seja essa visão é dos
    últimos 3,5 anos
    do seu ministério.

    Daniel trouxe o entendimento de Satanás com domínio nos
    ares
    agindo sobre impérios levantados na terra para oprimir
    Israel. João tem a visão de Satanás atirado para terra
    e o surgimento do último império humano que terá a característica da
    agilidade de conquistas militares da Grécia de Alexandre, poder de
    destruição de vidas da Pérsia e a autoridade ditatorial da Babilônia

    tudo reunido em um, o Anticristo. A terra nunca viu ainda um poder
    maligno manifesto nessa forma.

    Esse entendimento é muito importante na interpretação profética do
    fim dos tempos. A bíblia não descreve o Anticristo como um
    grande líder ou presidente de uma nação poderosa em seu início. Não
    descreve ele como uma liderança religiosa
    como alguns querem
    associar ao papa ou outra figura dominante de uma religião. Porém,
    descreve como um líder militar que causará devastações militares no
    Oriente Médio e ganhando projeção com suas vitórias. Finalmente
    assumindo a liderança de 10 nações que darão domínio militar.

    Entretanto, o mundo começará a se maravilhar do seu poder quando
    ele morre ou simula sua morte e volta a vida (Ap. 13:3
    e Ap. 13:12). A palavra grega usada aqui é a mesma utilizada em Ap. 5:6
    “um Cordeiro que tinha sido morto”. Esse acontecimento será tão grande
    que a toda a terra se maravilha. Lembremos que no 4 selo a morte é
    liberada sobre a terra e 25% da população mundial será morta por
    guerras, pestes e fome. Assim o Anticristo, se torna uma resposta
    para o desespero coletivo da população que não foi selada por
    Cristo.

    Esse é o entendimento de João na visão sobre o Anticristo. Nesse
    momento ele já conseguiu várias vitorias militares indiscutíveis, sinais
    e prodígios sendo manifestos na terra e demonstrou ter poder sobre a
    morte, o mundo se maravilha quem pode resistir o poder do Anticristo?
    Muitos se alinharão em lealdade e submissão ao seu domínio, inclusive
    muitos que hoje professam a fé crista, a apostasia que Paulo diz em 2
    Tes 2:3.

    A pergunta retórica de Joao traz a descrição comum do Antigo
    Testamento: quem pode lutar contra ele? Não há exército físico e poder
    no mundo que podem vencê-lo. Assim como Israel no passado se maravilhou
    com o poder das outras nações esquecendo o verdadeiro Deus, boa parte do
    mundo se dobrará a seu engano (Ver história do rei Acaz que copiou o
    altar do deus da Assíria 2 Reis 16). Mais a frente, João descreve que o
    Cordeiro vencerá o poder da besta e seus exércitos (Ap. 14:1, 17:14 e
    19:11).

    João tem a mesma revelação que vemos em Paulo em 2 Tes. 2:4 e Dan
    11:36 que o Anticristo se levantará para desacreditar a crença de Deus
    no céu e na esperança espiritual eterna. O conceito de viver o hoje, o
    agora, em detrimento de uma promessa eterna será um teste aos corações.
    Hebreus 12:16 relata a troca de Esaú de algo eterno por um desejo
    momentâneo. Cristãos serão testados em sua verdadeira fé quando não
    tiverem mais suprimento financeiros, perderem seus entes queridos e sua
    única expectativa é a espera pela manifestação da promessa de Cristo.
    Essa é a verdadeira perseverança dos salvos.

    O versículo 7 ao 10 deixa claro que a igreja estará na terra nesse
    momento sendo perseguida pela Anticristo que recebeu autoridade para
    isso de Deus por um período de 3,5 anos. Ele usa as mesmas
    palavras de Jesus as 7 igrejas: SE ALGUÉM TEM OUVIDOS, OUÇA
    .
    João está citando Jeremias 15:2 e 43:11 que também está alinhado com
    Daniel 11:33-35. Importante entender que Cristo já nos redimiu e nos deu
    a salvação com sua obra na cruz. Entretanto, a igreja primitiva também
    passou por grandes perseguições e martírios, bem como passam nesse
    momento as igrejas perseguidas do Oriente Médio e vários países da Asia,
    assim também será para a igreja dos últimos dias. Prepare-se.

    A Besta que Surge da
    Terra: O Falso Profeta

    A maioria dos estudiosos entendem a segunda besta vinda da terra
    demonstra uma força menor que a primeira ou ainda, trabalha para exaltar
    o Anticristo. Como o texto diz que exerce sua autoridade quando está em
    sua presença. Também é comum entendimento de ser um homem (ser humano).
    Diferente da primeira besta que surge através de sua força de
    liderança militar, a besta vinda da terra tem o ofício religioso e
    espiritual
    . Aquele que conduzirá o povo a cultuar o Anticristo.
    Essa figura de cordeiro e dragão seja a representação do Falso Profeta,
    alguém que age com boas palavras mas são de engano e destruição. Jesus
    antecipou isso em seu discurso do Monte das Oliveiras em Mat. 24:24
    falso profeta que faria grandes sinais e prodígios, bem como a mesma
    profecia de Deut. 13:1 anunciava a vinda de um profeta que seduziria com
    suas palavras, mas seriam palavras de morte. João vê dois chifres nessa
    besta, que como já explicado antes, tem o símbolo de poder e autoridade.
    Assim, intérpretes entendem ser uma pessoa com duplo ofício: religioso e
    político para arregimentar seguidores ao Anticristo. Outra possibilidade
    serem duas religiões diferentes que se unem para dar autoridade a
    primeira besta.

    O falso profeta será o agente eficaz do Anticristo na direção de
    seduzir a população e levar os habitantes da Terra a adorar a primeira
    besta. Isto será uma falsificação satânica como do ministério do
    Espírito Santo de levar as pessoas a adorarem a Cristo, mas aqui
    adorarem o Anticristo que tenta personificar o papel de Jesus como
    aquele que ressurgiu da morte, seja isso real ou um engano.

    Importante discutir um ponto, segundo estudos que fizemos do livro de
    Daniel, há uma grande possibilidade de o Anticristo vir de uma região ou
    origem mais radical islâmica. Assim, o falso profeta poderia ser uma
    importante figura levantada do sistema religioso muçulmano que validaria
    a autoridade da primeira besta. A escatologia islâmica, na verdade
    espera o aparecimento exatamente de duas figuras como essas: Mahdi (o
    grande líder) e Isa (quem dará suporte a Mahdi).

    A questão dos sinais, prodígios e milagres foram amplamente
    antecipados por Jesus e Paulo (Mat. 24:24 e 2 Tes. 2:9-10) de serem
    instrumentos de sedução e engano para corações que procuram soluções
    terrenas para suas vidas. Muitos serão enganados pois buscam apenas a
    preservação de suas vidas terrenas. A combinação da “ressureição” do
    Anticristo e os prodígios manifestos pelo falso profeta serão uma grande
    operação do erro, para que eles creiam nessa mentira (2 Tes. 2:11).

    A Marca da Besta:

    Fazemos um destaque desse ponto, pois é um dos mais controversos de
    Apocalipse recheando o Youtube com teorias de conspirações. Apesar de,
    sim entendermos que essa marca seja algo relevante e possivelmente
    visível que identificará as pessoas, porém deverá ser algo
    voluntário que traz orgulho de se seguir
    . Algo como hoje alguém
    se identifica com uma marca de roupa, paga mais por isso e tem orgulho
    de mostrar a todos. Por isso, de forma alguma cremos que alguém
    poderá receber essa marca por engano (chip através de uma vacina) ou
    forçado por imposição física.

    Vejamos o que a bíblia nos ajuda a revelar sobre isso. Por uma
    coincidência ou inspiração divina tanto Êxodo 13:16
    quanto Apocalipse 13:16 falam do mesmo assunto – o
    sinal está na mão e na testa. Este paralelo numérico parece proposital.
    A mensagem de Êxodo está relacionada a uma escolha consciente e
    voluntária (marca na testa) pela lei de Deus e que determina uma conduta
    de atitude diante do povo ou sociedade (marca na mão direita). Na
    antiguidade a mão direita era usada para juramentos e confirmar
    alianças. Isso foi interpretado por Paulo no Novo Testamento, aos
    Colossenses 3:1-2

    Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai
    as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus.
    Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da
    terra

    e depois de Paulo dizer de termos a em nossa “testa a marca” ele
    explora que isso causa um resultado na nossa conduta de vida diante das
    pessoas, versículos

    Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição,
    impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria; 6
    por estas coisas é que vem a ira de Deus [sobre os filhos da
    desobediência]. 7 Ora, nessas mesmas coisas andastes vós
    também
    , noutro tempo, quando vivíeis nelas. 8 Agora, porém,
    despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade,
    maledicência, linguagem obscena do vosso falar. 9 Não mintais uns aos
    outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos 10
    e vos revestistes do novo homem que se refaz
    para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou

    Portanto, o povo de Israel deveria reconhecer mentalmente o Senhor
    pensando em Sua lei e na obra de Suas mãos em tudo que fizessem. Em
    contraste com isso, a marca da besta na mão direita ou na testa
    significa um reconhecimento da obra e do senhorio a filosofia de vida
    que o Anticristo implementará na terra, que é seguido pela sua
    obediência a ele, bem como recompensará seus seguidores com prazeres
    terrenos.

    Durante o domínio nazista, tanto na Alemanha como nos países
    dominados, o povo livremente poderia escolher a se aliar ao nazismo e
    sua ideologia. Com isso usufruíam de benefícios dentro da sociedade e
    por isso se orgulhavam a ostentar o símbolo da suástica. Os que se
    recusavam, eram oprimidos e não tinham acessos aos confortos da
    sociedade. Esta condição de obediência ao Estado já está sendo elaborada
    no mundo. O dinheiro digital, as vacinas para a vida normal e as
    viagens, e assim por diante, fazem parte da capacidade do governo de
    controlar os seus cidadãos. Eventualmente, a obediência total será
    exigida. Aqueles que não cumprirem terão escolhas difíceis a
    fazer.

    O mundo de 2020 enfrentou uma crise biológica com o COVID-19.
    Economias inteiras foram colocadas em vários níveis de confinamento, e
    certos direitos e privilégios foram concedidos àqueles que
    obedientemente tomaram uma vacina. Para aqueles que não o fizeram, os
    privilégios foram negados e ameaças e acusações foram feitas contra eles
    por parte de associados, amigos e até mesmo de familiares.

    Inúmeras tentativas foram feitas para definir este número 666 com
    muitos líderes mundiais nos últimos dois mil anos. Mas esta abordagem é
    realmente inútil para os cristãos, porque Paulo explica em 2
    Tessalonicenses 2:3 que este homem, o Anticristo, não será revelado até
    o tempo determinado por Deus. Porém Apocalipse deixa clara que a marca
    somente começa a partir da segunda metade dos últimos 7 anos.

    Independentemente de a marca da besta ser visível ou tangível ou não,
    ela representará uma lealdade à besta. Será baseado num voto de lealdade
    e numa afirmação mental de que este é o único caminho certo e serão
    beneficiados por essa lealdade. Por outro lado, se tal voto de
    fidelidade for recusado, isso levará a pessoa a não depender mais de si
    mesmo para sobreviver, mas terá que confiar na providência divina e
    compartilhar o pouco que tiverem para existência durante os 3,5
    anos.

  • Apocalipse 12 – A Mulher e o Dragão

    Apesar do capítulo 12 ter várias imagens simbólicas não seria difícil
    buscar o entendimento pois João utilizou simbolismo facilmente entendido
    por cristãos da época pois trazem relatos do antigo testamento. A mulher
    descrita no versículo 1 claramente se refere a Israel, pois utiliza a
    mesma figura do sonho de José em Genesis 37:9 e o dragão é a figura
    usada para satanás (Isa 27:1, Apoc 12:9).

    Devemos evitar qualquer tentativa de forçar uma interpretação nesse
    capítulo com a Igreja. Esta apenas aparece no versículo 17. Podemos ver
    uma clara diferença da perseguição inicial a mulher
    (Israel) e depois os santos que têm o testemunho de
    Cristo, a igreja.

    Aqui novamente nós temos um interlúdio de tempo nas visões de João.
    Ele começa esse capítulo olhando o período da primeira vinda de
    Cristo, seu nascimento e ascensão aos céus, para depois se enfocar nos
    últimos 3,5 anos
    que antecederão o retorno de Jesus ou seja a
    estação da grande tribulação sobre a terra e a terrível perseguição que
    passará os judeus e a igreja.

    O contexto da visão traz dois lugares distintos: o céu onde Satanás
    está inicialmente localizado e depois quando ele e seus anjos malignos
    são atirados para a terra, e isso acontece conforme versículo 6 e 15 no
    meio dos últimos 7 anos.

    Vamos definir algumas das imagens que João usa nessa visão para
    ajudar o entendimento:

    • Mulher: Israel ou povo judeu (Gen. 37:9)
    • Dragão: Satanás (Isa 27:1, Ap. 12:9)
    • Sete cabeças: Os setes impérios humanos que Satanás
      usou para oprimir Israel (Egito, Assíria, Babilônia, Pérsia, Grécia,
      Roma e aliança do Anticristo) Ap. 17:9-10
    • Dez chifres: Países que farão parte da aliança do
      Anticristo (Dan 7:7)
    • Estrelas do Céu: Anjos malignos que seguem
      Satanás.
    • Filho Homem: Jesus (o filho arrebatado não pode ser
      a igreja, o versículo 5 enfatiza que esse filho homem irá governar as
      nações com cetro de ferro conforme profetizado no Salmo 110:2)
    • 1260 dias: O mesmo que tempo, tempos e metade de um
      tempo ou seja 3,5 anos que é o período que irá durar a grande tribulação
      (Ap. 8:13, Dan 7:25)

    Assim, temos a descrição inicial da perseguição histórica do dragão,
    Satanás, contra o povo de Israel para fazer a palavra da promessa de
    Deus não se cumprir. Isto é, o que havia sido profetizado em Genesis
    3:15. Até o versículo 5 João está retratando as profecias já cumpridas
    da escolha do povo de Israel e a vinda do Messias nascido de uma mulher
    conforme descrito em Isa 7:14 e 9:6. Do versículo 5 ao 6 teremos um
    intervalo de tempo, semelhante a profecia e Daniel 9 nas 70 semanas
    (olhe o estudo de Daniel 9).

    A fuga da mulher (Israel) ao deserto será o período pós invasão de
    Jerusalém pelo Anticristo. Isso está alinhado com as profecias de Zac
    14:2, Zac 13:9 e principalmente a de Oséias 2:14 sobre o povo ser
    refugiado novamente antes do retorno de Jesus. Ezequiel 38:8 e Isa 63:18
    que afirmam um breve retorno de Israel a terra (1948) e em seguida a
    invasão do Anticristo.

    O texto continua com a visão de uma guerra nos céus, onde Satanás e
    seus demônios são atirados a terra por Miguel. O que isso quer dizer que
    eles não têm mais acesso aos céus possivelmente Deus não aceita mais
    suas acusações contra seu povo (Ap 20:11, Jó 1:6, Dan 2:35). Esse
    momento histórico coincide com:

    1. Com invasão de Jerusalém pelo Anticristo (Dan 9:26, Ap 11:2)
    2. Abominação desoladora (Mat 24:15, Dan 9:27, 2 Tes 2:4)
    3. Interrupção dos serviços do Templo (Dan 8:11, 9:27, Isa 63:18)
    4. Possível morte e ressureição do Anticristo (Ap 13:3, 13:12,
      13:14)
    5. Início do ministério do Falso Profeta (Ap 13:11)
    6. Revelação do mistério da iniquidade (2 Tes 2:3)
    7. Início da perseguição e martírio da igreja (Ap 12:17, Dan 7:25, Dan
      11:33)
    8. Anticristo se exalta como deus (Ap 13:8, 2 Tes 2:4)
    9. Início do ministério das 2 testemunhas (Ap 11:1, Zac 4:3)
    ultimasemana%203,5

    Aqui se inícia os últimos 3,5 anos que antecedem o Dia do Senhor, a
    segunda vinda de Jesus e o estabelecimento do seu reino eterno ou
    período milenar. Estudaremos o milênio mais para frente no capítulo
    20.

    Ênfase importante ao versículo 11, “eles venceram por causa da
    palavra do testemunho que deram”. O grego para testemunho é “martyrias”
    que significa testemunhar com a própria vida. Mesma origem para a
    palavra mártir. Assim, o contexto que os cristãos vencem pelo sangue de
    Jesus, mas também porque perseveraram em seu testemunho mesmo sendo
    martirizados. Mensagem a igreja de Esmirna, seja fiel até a morte.

    A partir do versículo 12, João começa dar mais detalhes daquilo que
    ele já havia explicado nos versículos anteriores, enfocando que Satanás
    e seus demônios sabem que tem apenas 3,5 anos por isso tentam exterminar
    todo Israel (judeus). Porém Deus da proteção a 1/3 dos sobreviventes
    (Zac 13:9) a escaparem ao deserto. Vários profetas anunciam Israel em
    campos de refugiados no Egito, Assíria (Síria, Iraque), Bozra (sul da
    Jordânia). Isso também foi anunciado por Jesus em Mateus 24:16.

    Deus sustentará esse povo de maneira sobrenatural como foi com o
    “maná” e as codornizes no tempo do deserto (as duas testemunhas). A
    igreja fisicamente será também instrumento de Deus na terra orando e
    servindo Israel (Mateus 24:37-40). Talvez essa seja a razão de no
    versículo 17 Satanás vir atras da igreja (águas podem representar
    exércitos de guerra) pois se posicionaram em favor a ajudar os
    sobreviventes de Israel. Cristãos que durante a segunda guerra ajudaram
    a esconder judeus foram martirizados pelos nazistas. Maiores detalhes
    sobre isso podem ser encontrados no livro Refúgio Secreto de
    Corrie Ten Boom
    .

  • Apocalipse 11 – As Duas Testemunhas e 7 Trombeta

    A perspectiva amilenista defende que essa visão retrata a igreja de
    Cristo na terra. Porém, conforme o livro de Daniel e o próprio Jesus em
    Mateus 24 afirma de um templo em Jerusalém nos últimos dias. Então,
    entendemos que essa é uma visão para acontecimentos específicos em
    Jerusalém e a proteção do remanescente de Israel. Vamos olhar os
    principais pontos dessa visão olhando essa perspectiva do templo:

    1. O templo está fisicamente construído em Jerusalém. Isso nos ajuda a
      determinar que essa visão ocorre dentro dos 7 anos mas um pouco antes da
      grande tribulação pois ele não vê a abominação desoladora.
    2. Ele detalha a existência do Santuário ou templo e o altar do
      sacrifício em pleno funcionamento.
    3. O átrio externo não existia no templo de Salomão e nem na
      reconstrução do templo durante o periodo de Neemias. Porém nas reformas
      feitas por Herodes o templo foi ampliado e construído uma ala para os
      gentios. Teólogos teorizam que essa visão do terceiro templo construído
      no meio da mesquita Al-Aqsa e o Domo da Rocha.
    4. Essa linguagem “gentio” determina com clareza que a visão se refere
      a Israel e um templo judaico. Gentios aqui se refere alguém hostil a
      Deus e o povo de Israel.
    5. João medindo o Santuário e o Altar simboliza algo parecido que
      Ezequiel 40:5 faz do quarto templo durante o milênio.
    6. A domínio do anticristo no templo acontecera pelo período de 42
      meses ou seja ele causa a desolação assoladora no meio dos 7 anos (Dan
      9:26, 12:11).
    7. Esse tempo quando o antissemitismo chegará a seu pico. Jerusalém foi
      invadida. Boa parte dos judeus mortos (Zac 13:8) e um remanescente foge
      para o deserto ou levado cativo a campos de refugiados.
    8. Duas testemunhas são levantadas pelo Senhor para ministrarem durante
      1260 dias. Apesar de suas manifestações de poder associarem ao
      ministério de Elias e Moisés pouco provável que sejam eles na terra, mas
      alguém que representa esse ministério como João Batista foi o “Elias”
      nos tempos de Jesus.
    9. Duas testemunhas eram requeridas pela lei do antigo testamento, Deut
      19:15, mas durante o período de Jesus também tivemos vários
      exemplos.
    10. Estarem vestidos de pano de saco mostra o ministério profético e de
      julgamento durante esse período.
    11. As duas oliveiras referem-se a profecia de Zacarias 4:3 que
      simboliza o tamanho do poder a ser manifesto através dessas
      pessoas.
    12. Farão prodígios e sinais sobre a terra (Fogo e fechar o céu=Elias e
      água em sangue=Moises) com um propósito de proteger o remanescente de
      Israel.
    13. Alguns teólogos acreditam que as testemunhas é um simbolismo para
      toda a igreja protegendo Israel durante esse tempo. Entretanto, todo o
      linguajar da visão demonstra serem judeus. Um cristão não poderá
      adentrar o templo, pois também é um gentio em sua essência.
    14. A besta que surge do abismo é o Anticristo com a manifestação de
      Satanás que foi retirado do céu/ares por Miguel no meio dos 7 anos. A
      besta só tem autoridade para matá-los ao fim do período estabelecido
      pelo Senhor.
    15. Serão mortos em Jerusalém onde exerceram seu ministério. Eles morrem
      antes do retorno de Jesus.
    16. Além de protegerem o remanescente de Israel, eles também punem e
      repreendem os ímpios para o arrependimento, semelhante o que Elias fez
      no tempo do Rei Acabe onde a terra ficou sem chuva por 3,5 anos. Por
      isso os povos celebram quando eles morrem porque estavam sendo afligidos
      por seus sinais.
    17. Os habitantes da terra celebraram o último carnaval.
    18. Essa será a quarta vez na história que Deus permite homens fazerem
      coisas sobrenaturais em grandes proporções sobre a terra em seu
      nome.
    1. Moisés e Josué
    2. Elias e Eliseu
    3. Jesus e seus apóstolos
    1. O fato de a visão citar que esse é o final do “Segundo Ai”
      identifica esse tempo com o final da Sexta Trombeta ou seja estamos
      muito próximos do retorno de Jesus a terra.

    Sétima Trombeta: O Terceiro
    Ai

    Depois de termos esse interlúdio aonde a visão voltou no tempo para
    descrever detalhes desse período que ainda não conhecíamos, que estavam
    acontecendo na terra, João volta a ter visões no céu para descrever
    eventos futuros, a última trombeta.

    A sétima trombeta determina o reino do mundo se torno senhorio de
    Jesus Cristo. Esse momento foi profetizado por Daniel 2:35, 4:3, 6:26,
    7:14, Sal 2:2, Isa 9:6, Zac 14:9). Pela descrição do louvor dos 24
    anciãos podemos entender que inicia o processo de:

    • Manifestar a Ira de Deus sobre a terra (Sl 2)
    • Para os homens serem julgados (Apoc 20 separa isso depois dos 1000
      anos)
    • Recompensar os profetas, servos, santos e os que temem o Senhor
    • Destruir os que destroem a terra
    • Acabar com todos os impérios do homem na terra

    Aqui se inicia o processo do fim dessa era, onde Jesus retorna a
    terra de maneira visível para destruir os seus inimigos e estabelecer o
    seu reinado na terra purificando a terra de todo o seu mal. Não duvida
    que o cumprimento dessa passagem é um reino físico de Jesus na terra.
    Contrário a teoria amilenista de reino espiritual no céu.

  • Apocalipse 10 – Comendo o Livro

    Temos ao longo do livro de Apocalipse esses intervalos de tempo, como
    um parêntesis fosse colocado na narrativa da história. Muito importante
    entender que apesar o livro ter uma revelação progressiva dos
    acontecimentos, várias vezes as visões levam João a uma volta do tempo.
    Exatamente o que está acontecendo aqui, apesar da Sexta Trombeta estar
    muito próxima do retorno de Jesus, essa visão do capítulo 10 traz um
    retorno ao meio dos 7 anos, especialmente quando retrata o ministério
    das 2 testemunhas.

    Temos mais de 60 referências a anjos em Apocalipse. Apesar dos
    teólogos divergirem em suas opiniões sobre a visão do anjo ser Jesus,
    temos algumas referencias importantes que podem ajudar a sustentar esse
    entendimento: – Nuvem como o arco-iris (Apoc 4:3) – A face como fogo
    (Apoc 1:14) – Sua voz rugia como um leão (Amos 3:8) – Os 7 trovões – Em
    Ezequiel 2:8 Deus que entrega o livro

    Temos uma mudança importante de ambiente, João nesse momento volta a
    estar na terra em suas visões possivelmente devido a proximidade do
    momento do fim dessa era. Ele recebe uma mensagem que não lhe permitem
    escrever, fica selada. Isso detalha que Deus ainda não revelou nas
    escrituras todos os julgamentos que serão manifestados sobre a terra
    durante os últimos 3,5 anos

    Esse anjo que está em pé sobre a terra e o mar, não podemos afirmar
    com certeza ser Jesus, entrega o livro aberto para que João comesse e
    depois proclamasse as nações. Muita semelhança com o livro da a Ezequiel
    comer e proclamar a casa de Israel. No capítulo 14 vemos uma mensagem de
    arrependimento e juízo sendo proclamada aos povos das nações.

    O mesmo anjo determina que não haverá mais demora, uma resposta ao
    clamor dos mártires “até quando Senhor”, que ao tocar da sétima trombeta
    então se cumprirá o mistério de Deus e tempo da justiça irá se
    manifestar.

    Entretanto, João aqui representando a igreja, é comissionado a
    continuar pregando a mensagem de arrependimento e justiça em toda terra.
    O testemunho para todas as nações é algo que está no coração de Deus
    para o cumprimento da volta de Jesus. Entretanto, é Ele que está no
    controle desse tempo levantando um povo que irá avançar no tempo do fim
    na força do poder do Espírito. Muito dessa mensagem poderia ser resumido
    como o evangelho apocalíptico que veremos no capítulo 14.

    o Mistério de Deus: o plano de Deus para a
    humanidade. Os reinos da terra e toda a criação se tornarão o Reino do
    seu Cristo. No passado Ele revelou isso parcialmente aos seus profetas
    (Hebreus 1:1-2), mas agora o plano de Deus está sendo revelado aos
    homens, criação e seres espirituais. (Jer 7:5, Am 3:7), tornando visível
    a todos a soberania e domínio de Jesus Cristo, atraindo para si os que
    são seus e julgando os que rejeitaram sua graça.

    Poderíamos discutir por horas esse contexto de comer o livro. Essa
    mesma mensagem foi dada a Ezequiel 2:9 e Jeremias 15:16. Porém todos os
    profetas viveram a palavra em suas vidas. Oseias viveu o que profetizou.
    Daniel foi um exemplo das profecias que proclamou. João Batista era o
    testemunho vivo da palavra profetiza de Isaias 40. Quem não come o livro
    não pode pregar sobre ele. É preciso deixar Deus interiorizar a mensagem
    até que nossa vida seja uma com ela. Senão seremos apenas como o címbalo
    que retine (1 Cor 13:1). Ouvindo um podcast e repetindo algo que nunca
    vivemos.

  • Apocalipse 8 E 9

    api8

    Algumas Notas e Detalhes sobre as Trombetas:

    Talvez não tenhamos clareza do entendimento sobre o que irá
    ocasionar as trombetas, podendo ser uma ação de juízo de Deus através da
    natureza ou a ação do homem através de armamento bélico. Porém podemos
    ter clareza no seu efeito. Isso eu destaquei em vermelho em cada
    trombeta. Importante entender o simbolismo da trombeta que significa um
    anúncio de algo que vai acontecer em seguida. Parece haver uma sintonia
    com as primeiras 4 trombetas.

    Primeiro Trombeta:

    30% da Vegetação: Pode ser semelhante a sétima praga
    do Egito em Ex 9:23 onde choveu pedras e fogo sobre a terra trazendo
    destruição sobre uma região especifica da terra. Alguns teólogos
    entendem que essa não será uma ação generalizada em toda terra, mas algo
    regionalizado no oriente médio. Outro entendimento que esses seriam
    efeitos naturais das guerras que se iniciaram com abertura do segundo
    selo e Daniel 11:25 ou seja uma confirmação dos selos já manifestos.
    Apesar de alguns dispensacionalistas teorizarem que essas primeiras
    trombetas são julgamentos sobre a terra de Israel, não cremos nisso.
    Apesar de Israel ser nesses últimos 3,5 anos extremamente afetado pela
    perseguição do anticristo.

    Segunda Trombeta:

    30% do mar e navios: A visão que João de uma grande
    montanha em chamas sendo jogada sobre a terra pode ser entendido como
    algo da natureza, um meteoro ou algo direcionado pelo homem através de
    uma visão de foguetes nucleares. Algo importante a destacar além do
    efeito sobre o mar, é a destruição de navios. O texto não detalha se
    seriam transporte ou navios de guerra. Entretanto, em Daniel 11:30 temos
    navios de guerra de Quitim resistindo ao ataque do Anticristo e depois
    são eliminados. Essa profecia já havia sido declarada por Balaão em Num
    24:24. Existe também uma interpretação da manifestação de um grande
    vulcão que afetaria grande parte do mar e suas embarcações.

    Terceira Trombeta:

    30% da Água potável: Uma grande estrela cai do céu,
    podendo ser um meteoro ou mesmo uma bomba nuclear. As duas formas
    poderiam causar esse efeito de fogo sobre céus e terra, porém a
    contaminação da água potável teria mais sentido como efeito de uma bomba
    nuclear ou química sobre as águas. Algumas tentativas de entender os 30%
    dos rios de água doce levam os estudiosos olharem para bacia do
    Amazonas, as reservas de água do Canadá, os lagos da Rússia etc.
    Entretanto, o efeito em um lugar como esse seria restrito. Absinto tem o
    significado do grego como amargor e forte odor. Várias vezes na bíblia
    temos relato de águas amargas que não eram adequadas a beber, mas aqui
    vemos pessoas morrendo por beber dessa água. (Jer 9:15).

    Assim, poderíamos imaginar um efeito em vários lugares da terra
    afetando boa parte da população ou localizado na região do Oriente médio
    onde teremos a maioria dos exércitos do Anticristo reunidos seja por
    efeito de um meteoro ou um míssil nuclear/armas químicas.

    Quarta Trombeta:

    30% dos Céus são obstruídos: Importante perceber que
    João não vê uma causa direta para esse efeito sobre os céus. Também não
    podemos associar com as profecias de Joel 2:2, Isaias 13:10, Amos 5:18
    que se referem ao grande Dia do Senhor, pois aqui apenas 30% de uma
    região está sendo afetada. Alguns teólogos entendem que isso é efeito
    direto das primeiras 3 trombetas manifestadas em uma mesma região. Seja
    efeito de corpos celestes caindo sobre a terra ou bombas causaria uma
    nuvem em uma grande região obstruindo a visão do sol, lua e
    estrelas.

    Aparece uma águia voando, possivelmente um anjo proclamando os 3
    Ais de apocalipse que são as 3 últimas trombetas, um alerta que grande
    dor e terror que virá sobre os habitantes da terra a partir de agora. 
    Importante lembrar da terra de Gosén, enquanto Deus libera juízo sobre o
    Egito, algumas das pragas não atingiram o povo de Israel.

    Quinta Trombeta:

    Primeiro Ai: Um ponto importante para entender essa
    trombeta que ela não pode destruir a natureza e matar as pessoas. Assim,
    pouco provável que isso seja algo militar como alguns descrevem pelos
    versículos 7 a 10 sendo armamento militar como helicópteros ou tanques
    de guerra. Outra hipótese que a estrela (veja que diferente da trombeta
    3 essa estrela é um ser, possivelmente satanás Lucas 10:18, Isa 14:12)
    que tinha caído do céu esteja relacionada a Apoc 12:4 e seus gafanhotos
    serem demônios que irão atormentar os que não fazem parte do povo de
    Deus ou seja os selados seriam todos os cristãos na terra. O foco dessa
    trombeta não é atingir a terra, arvores ou rios, mas sim o ser
    humano.

    Abismo pode ser uma clara referência a morada de demônios (Apoc 9:11
    e 20:1-3, 2 Pe 2:4 e Judas 6). Importante notar que alguém acima desse
    anjo caído da a autorização para que seja aberta a porta desse abismo e
    esses seres sejam liberados sobre a terra, mas a mesma autoridade limita
    a sua ação sobre os homens (história de Jó).

    Gafanhotos sempre simbolizaram destruição no antigo testamento,
    devastando as plantações e a economia, porém aqui são tormentos sobre os
    homens. Elas também tinham um líder (vers. 11), que claramente não são
    gafanhotos literais, pois os mesmos destroem as plantações e não tem
    líder. Abadom e Apolion significa destruidor.

    Em resumo, entendemos que o contexto fala de seres espirituais
    malignos que são liderados pelo próprio satanás que havia caído do céu
    conforme descrito em Apoc 12:9 que atormentam e causam aflição a
    população da terra por 5 meses, possivelmente o período que antecede a
    volta de Jesus.

    Sexta Trombeta:

    Segundo Ai: Diferentemente da 5 trombeta, aqui o
    efeito dessa trombeta causa morte de seres humanos como principal
    objetivo. Uma voz diante do trono, possivelmente de Jesus que recebeu a
    autoridade no capítulo 5 para julgar a terra, diz para o anjo libertar 4
    anjos que estavam presos no rio Eufrates. Por estarem presos, devem ser
    anjos caídos, os quais João ainda não havia visto. A bíblia não traz
    detalhes sobre isso, porém 2 Pe 2:4 descreve sobre anjos rebeldes que
    foram presos para o juízo. Novamente vemos o Senhor no controle da
    situação autorizando a espíritos malignos agirem na terra com um
    proposito a cumprir em seu plano.

    Uma das possiblidades são principados ou potestades como em Daniel 10
    que irão agir sobre domínios humanos conduzindo exércitos para
    conquistas. O efeito é a morte de 1/3 da população da terra naquele
    momento.

    O exército que Joao viu representa 200 milhões de pessoas, oque em
    sua época não existia de pessoas habitando a terra. Porém hoje temos
    países do oriente que podem facilmente reunir um grupo desse
    tamanho.

    A visão de cavalos e cavaleiros representavam na antiguidade como
    armas de guerra. Alguns teólogos entendem que João está vendo armamentos
    militares com não conseguia descrever pois estava muito a frente de seu
    entendimento, mas devido o poder de causar morte aos homens ajuda o
    nosso entendimento como armas de destruição.

    Se a 5 trombeta se manifestou a 5 meses da volta de Jesus, essa
    trombeta pode estar alinhada com Ezequiel 38 e sua grande batalha
    final.

    Interessante que mesmo diante de toda a destruição derramada
    sobrenaturalmente sobre a terra grande parte do povo não se arrepende de
    seus pecados. Na verdade seus corações ficam mais endurecidos, como o de
    Faraó no Egito.