Essa seção do livro até o seu final no capítulo 12, Daniel volta a
escrever em hebraico, talvez em uma referência da importância destas
profecias não somente a mundo gentílico, mas também seus diretos efeitos
sobre a nação de Israel no cumprimento do plano da promessa de Deus.
O terceiro ano de Belsazar foi por volta de 551 a.C., dois anos
depois de Daniel ter recebido a visão no capítulo 7 e cerca de 12 anos
antes dos eventos do capítulo 5. Daniel vivia então no reino da
Babilônia, a primeira besta do capítulo 7. Porém sua visão estava
direcionando a vinda do império Persa, pois ele se vê na cidade de Susā,
atual Irã, que era a capital do futuro império Medo-Persa. Ester e
Neemias viveriam nessa cidade.

Carneiro: A visão desse animal representa a Pérsia.
Os dois chifres representam a união da Média com a Pérsia. Da mesma
forma que a visão do capítulo 7 esse animal tem uma forca maior em um
chifre, devido a essa união a Pérsia ter prevalecido como domínio mais
forte. O carneiro era um símbolo importante no império Persa, foi o
espírito guardião, quando os reis iam a batalha, eles carregavam a
cabeça de um carneiro.
No versículo 4 temos a expansão do império persa em direção ao oeste
(Lídia, Jônia, Trácia e Macedônia), norte (as montanhas do Cáspio e
Cítia) e sul (Babilônia, Israel e Egito) que compara as 3 costelas do
capítulo 7 como principais reinos dominados pelo seu tamanho da época,
Babilônia, Egito e Lídia.
Foi naquele momento o maior império em extensão e dominou por mais de
200 anos. Utilizou a estratégia de dar autonomia às províncias
desenvolverem sua própria cultura desde que pagassem os impostos ao
império.
Bode: a história identifica como a Grécia que
rapidamente domina e expande o império Persa. Talvez essa seja a conexão
do bode não tocar o chão pela velocidade que a Grécia conquistou a
Pérsia. Semelhante simbologia tem na velocidade do Leopardo no capítulo
7. Em apenas 13 anos Alexandre conquistou todo o Egito, Pérsia e
expandiu seus domínios ao norte do Afeganistão, Paquistão e parte da
Índia. Ele é o grande chifre que aparece no bode.
Claramente essa é a descrição da terceira besta de Daniel 7:6.
Alexandre se engradeceu de tal maneira em arrogância que se considerou
divino fazendo seus soldados se curvarem diante dele. A quebra do seu
chifre, e o surgimento de quatro outros chifres têm correlação com o
Daniel 7 onde quatro generais surgem para dominar o seu vasto império.
As identificações mais prováveis são Lisimaco, Cassandro, Seleuco e
Ptolomeu. Outros generais se levantaram buscando domínio durante mais de
20 anos de guerra até chegarmos a esses 4 líderes.
Chifre Pequeno: Muitos comentários bíblicos
identificam esse cumprimento no passado, se tratando de Antioco
Epifânio, que reina como descendente da linhagem dos Selêucidas entre
175 aC e 164 aC. Ele faz pequenas campanhas militares, porém sem grande
expressão, conquistou parte do Egito, mas depois foi forçado pelos
romanos a retroceder. Ele tinha domínio sobre a Judeia e Jerusalém.
Causou a revolta dos Macabeus por entrar no templo sacrificar um
animal (porco) e colocar uma estátua de Zeus. Entretanto, parte
importante dessa profecia possivelmente não se cumpriu em sua totalidade
criando assim o que chamamos de uma sombra profética que aponta também
para o fim dos tempos. Também, no versículo 17 o anjo está afirmando que
essa visão é para os dias do fim.
1) Chifre Pequeno: Apesar de ser um cumprimento
parcial no passado, o chifre pequeno aponta também para o futuro como
sendo a manifestação final do Anticristo e o mistério da iniquidade.
(Dan 7:8, 2 Tes 2:7, Apoc 13:5)
2) Engrandeceu em direção ao Sul, do Leste e da terra
gloriosa: Antioco Epifânio sim avançou contra o Sul, conquista
parte do Egito, porém não há relatos na história de um avanço para o
Leste, bem como os Sírios já dominavam a Judeia. Talvez isso aponte para
o futuro o Anticristo podendo vir de uma região mais ao norte de Israel
e expandindo seus domínios para leste e sul (Is 19, Da 11:42), bem como
invadir Jerusalém (Dn 9:26, 11:31, 11:41)

3) Pisou com os pés alguns algumas das estrelas:
Passagem de difícil interpretação, porém poderia relacionar a Ap 12:4
sobre a queda de anjos do céu ou talvez o mais apropriado falando de
santos do Senhor sendo perseguidos e mortos conforme outros textos de
Daniel trazem. Também, o versículo 12 pode ser uma confirmação dessa
teoria que são os santos do senhor.
4) Tirou o sacrifício diário e destruiu o santuário:
Primeira parte se cumpriu no passado com a abominação de Antíoco, porém
o templo somente foi destruído no ano 70 d.C. Em Mateus 24:15 Jesus vê
esse fato como algo futuro e em 2 Ts 2:4 reforça esse ponto como algo
ainda a ocorrer no futuro.
5) Lançou a verdade por terra: Traz uma conexão com
Daniel 7:25 de mudar os tempos e a lei ou seja uma perspectiva que
padrões que a sociedade mundial tem hoje serão quebrados e aquilo que
são valores e leis não serão respeitadas.
(Sharia Law – lei muçulmana que impera sobre o país).
6) Tudo que fez prosperou: Vários versículos
reforçam uma autoridade para o anticristo ter um domínio na terra por um
período de 3,5 anos, inclusive ter domínio sobre os santos.
7) 2300 dias para a purificação do templo: Difícil
estabelecer um paralelo com um cumprimento no passado. Uma das
possibilidades de interpretação trazida por Reggie Kelly que aponta o
início do sacrifício no templo, a contaminação pela abominação do
Anticristo e sua purificação na volta de Jesus. Essa interpretação
ajudaria a determinar quando iniciaria o sacrifício na última semana de
Daniel.
A partir do versículo 15, Daniel busca entendimento para a visão que
acabou de ter, e mais uma vez Gabriel (única vez no antigo testamento
que é revelado o nome de um anjo e, este sempre está associado às
revelações messiânicas) vem trazer a explicação. Ele traz um contexto
importantíssimo para a compreensão, isso irá acontecer no fim dos
tempos. Possivelmente dizendo da segunda parte da visão, o aparecimento
do chifre pequeno:
- Esta parte da visão se refere ao tempo do fim.
- Isso irá acontecer no último tempo da ira. (1Ts 1:10, Sf
2:3) - Há um tempo determinado do fim
- Quando as transgressões chegarem ao máximo (2 Tm 3:1)
- No fim desses reinos (Dn 2:44)
- A visão das tardes e das manhãs é para dias bem distantes
Outro ponto significativo que ajuda entender essa transição de tempo
entre o “Bode com 4 Chifres” para o chifre
pequeno está no versículo 23, onde o anjo explica a Daniel que
essa parte é para o fim dos Reinos Humanos na terra, como no sonho de
Nabucodonosor.
A partir desse ponto o anjo faz uma descrição de um rei futuro que
irá se levantar na terra, no tempo do fim, o qual entendemos ser o
Anticristo. Vejamos algumas características dele:
i. Cruel/feroz.
ii. Mestre em intrigas ou alguém que entende de manipulação.
iii. Grande poder, porém não por sua própria força. (Dn 2:43, Ap
13:1)
iv. Causar grandes destruições.
v. Vencedor por um período de tempo.
vi. Destruirá os poderosos. (Reis/Presidentes)
vii. Vencerá os santos. (Dn 7:21, Ap 13:7)
viii. Astuto e manipulador/enganador
ix. Arrogante/Autoridade. (Ap 13:5-6)
x. O engano prosperará na terra. (Dn 7:25 mudar as leis)
Podemos identificar pelas características que o Anticristo não será
um pacifista que liderará a ONU, também não deverá ser um grande líder
religioso de referência mundial, mas sim um homem de guerra que
se manifesta ao mundo sem grande relevância no princípio, mas
através de grande astúcia e manipulação irá liderar exércitos para
causar grande destruição e morte. Essas são as características
identificadas em Daniel 7 e 8. Citando Joel Richardson, o Anticristo
será um “Líder Político e Militar” que terá um poder sem paralelo
comparado a qualquer outro líder mundial.
A profecia também aponta para um tempo em que o povo se sentirá
seguro, e despreocupado, esses serão surpreendidos pela destruição
trazida através do Anticristo. Esse fato pode apontar especificamente
para a região de Israel, pelo possível acordo de paz que traria
segurança ou pode se estender a santos da igreja que não vigiaram e não
estavam preparados emocionalmente pelas calamidades descritas por Jesus
em Mateus 24.