Daniel Capítulo 3

em

3 amigos na fornalha

INTRODUÇÃO

Nabucodonosor ordena que todos os povos sob seu domínio adorem a
imagem (possivelmente não era uma estatua de figura humana) de ouro, e,
apesar de todos os seus oficiais de outras nações lhe obedecerem, os
amigos de Daniel recusam-se por causa da lealdade a seu Deus. Quando o
Senhor os livra da fornalha ardente, o respeito de Nabucodonosor pelo
Deus deles aumenta. Um documento babilônico da época de Nabucodonosor
(605-562 a.C.) alerta para não danificarem a estátua que havia sido
erguida: “Ao lado de minha estátua como rei, escrevi uma inscrição
mencionando meu nome… eu a erigi para a posteridade. Que os futuros reis
respeitem o monumento, lembrem-se do louvor dos deuses… Aquele que
respeitar… meu nome real, que não revogar meus estatutos, seu trono
estará seguro, sua vida será longa, sua dinastia continuará.”

DIVISÃO

1 ao 7 – A estátua de ouro de Nabucodonosor.
8 ao 23 – Os jovens judeus são lançados na fornalha ardente.
24 ao 30 – O livramento divino que mudou o coração do rei.

O rei Nabucodonosor ordenou que todo povo, língua e nação debaixo de
seu domínio se prostrem e adorem a imagem de ouro levantada por ele. Uma
estátua de 27 metros de altura, 2m e 70cm de largura, para mostrar seu
poder. A estátua foi levantada no campo de Dura, na Babilônia, o que
segundo Gn 11:2, era um vale na terra de Sinar, e hoje está situada na
atual Síria, a meio caminho entre Alepo e Bagdá, nas margens do
Eufrates. Ao som da trombeta e todos os instrumentos todos deveriam se
prostrar e adorar a imagem levantada pelo rei, caso contrário
instantaneamente seria lançado na fornalha de fogo (versículos 4 e 5 ),
e todo povo, língua e nação obedeceram, com exceção dos três amigos de
Daniel: Hanias conhecido na Babilônia como Sadraque, Misael, chamado de
Mesaque e Azarias, chamado Abede-Nego; os mesmos se recusaram a se
prostrar e adorar a imagem.

Observação: a estátua não era a imagem do rei ou pelo menos não
podemos afirmar que era, pois historicamente na antiga Mesopotâmia não
se tinha por costume adorar a o homem. Existe a possibilidade que possa
ser algum outro Deus ou uma representação figurativa.

Chegaram perto do rei alguns astrólogos – homens caldeus (mágicos e
encantadores), para acusar Sadraque, Mesaque e Abede-nego, de não ter
prestado o respeito e adoração devida (versículos 10 e 11), mencionando
maldosamente para provocar o rei, e lembraram que ele tinha dado uma
posição e cargo como administradores da Babilônia, colocando a atitude
dos 3 como uma desobediência absurda (versículo 12), o rei ficou furioso
e mandou os chamar.

No verso 13, podemos ver o primeiro questionamento de porque eles não
se prostraram e adoraram, e aparentemente Nabucodonosor dá uma segunda
chance (versículo 15) para que eles se prostrem, lembrando-os que caso
não fizessem o que ele pedia seriam lançados na fornalha, e em tom de
ameaça e escárnio.

Com grande certeza e segurança dos três judeus, servos do rei
Nabucodonosor, fez que sustentasse seu posicionamento e eles não tinham
sombra de dúvida do poder do nosso Deus. Eles tinham a certeza de que o
nosso Deus tinha poder para salvá-los, mas da mesma forma entenderiam se
não fossem salvos, e permaneceriam em obediência, sem importar a forma
da execução do plano. Se pensarmos, existe na situação uma incerteza:
eles sabiam que Deus é forte e capaz de libertar um povo da escravidão
como fez no Egito, mas também sabiam que o mesmo Deus retinha seu poder,
permitindo que o povo sofra, mas mesmo assim (ler versículos 17 e 18),
eles não se dobrariam diante de outros deuses.

Se nosso Deus, a quem servimos quer livrar-nos, Ele nos livrará da
fornalha de fogo ardente e das mãos do Rei, e mesmo que Ele não nos
livre, fique sabendo, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses,
nem adoraremos a imagem de ouro que o senhor levantou.

Irado por ser contrariado, o rei pediu para seu exército que
esquentasse a fornalha sete vezes mais (temperatura normal 1000°C /
1832°F x 7 ) e os três foram amarrados e jogados na fornalha. O fogo era
tão intenso que aqueles soldados que lançaram Sadraque, Mesaque e
Abede-nego morreram instantaneamente (versículos 22 e 23).

O JOGO VIROU

O rei levou um susto (verso 24), mas não foi porque os jovens não
tinham morrido e sim porque existia mais um dentro da fornalha junto com
eles. Espantado, buscando por respostas, foi até seus conselheiros e
perguntou se não eram 3 os homens jogados no fogo. Tendo uma afirmação
deles, Nabucodonosor diz: Eu estou vendo 4 homens soltos,
andando no meio do fogo e não sofreram nenhum dano!
Só que a
diferença do quarto era: Semelhante a um filho de Deuses (verso
25)
.

Observação: os teólogos da Sociedade Bíblica do
Brasil, entre outros, vêem que pode ser que essa foi a aparição de uma
cristofania (uma aparição física de Cristo antes de sua encarnação) ou
de um anjo (verso 28). Em qualquer caso, essa aparição é uma
demonstração física da presença de Deus com os crentes em suas aflições,
um cumprimento vivido da promessa do Senhor como em Is 43.2. O Senhor
prometeu sua presença com seu povo, assegurando-lhes que suas provações
e dificuldades não iriam oprimi-los totalmente.

O rei chegou até a porta da fornalha, os chamou pelo nome e disse a
eles: servos do Deus altíssimo – reconhece o senhorio
de Deus – venham para fora. Eles saíram do meio do fogo (versos
24 e 25)
.

Todos os líderes em volta se aproximaram dos jovens (verso 27) e
viram que nem um dos jovens sofreu dano algum. A obediência de Sadraque,
Mesaque, Abednego amoleceu o coração do rei, fazendo que o nosso Deus
Jeová – YHWH – seja reconhecido por todo povo, língua e nação. O Rei
Nabucodonosor reconhece também que não existe outro Deus igual, e ele
mesmo declarou: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e
Abede-nego, que enviou seu anjo e livrou os seus servos, que confiaram
nEle, pois não quiseram cumprir a palavra do rei, preferindo entregar
seu corpo/vida a servir e adorar a um deus que não era o Deus deles
(verso 28)
.

A obediência dos três moços fez que um rei e seus governantes vejam e
conheçam o poder de Deus, reconhecendo que não existia outro Deus igual,
e o rei ordena um decreto para todo aquele que blasfemar contra esse
Deus seja destruído. A obediência trouxe bênção para a vida desses três
jovens, até que o próprio rei os fez prosperarem.

ENSINO PARA APLICAR A NOSSA
VIDA

Uma testemunha fiel na fornalha ardente. Esses homens não eram mais
adolescentes. Eles já tinham um lugar de destaque no reino. Eles estavam
bem-posicionados (vida assegurada e futuro) quando tomaram a decisão que
custou toda vida. É possível que nunca – a não ser aqueles mártires –
iremos enfrentar uma fornalha, mas na nossa jornada precisamos colocar
nossa fidelidade a Deus acima de qualquer situação, por mais difícil que
seja, dizer não a nós mesmos, a nossas vontades humanas, dizer não ao
pecado, nos tornar inegociáveis para o mundo, e ser fiéis a Deus acima
de qualquer situação. Sabemos que essa jornada não é fácil, mas TUDO
PODEMOS NAQUELE QUE NOS FORTALECE. Nos últimos tempos seremos testados,
provados e refinados pelo fogo.

Nisso vocês exultam, embora, no presente, por breve tempo, se
necessário, sejam contristados por várias provações, para que, uma vez
confirmado o valor da fé que vocês têm, muito mais preciosa do que o
ouro perecível, mesmo apurado pelo fogo, resulte em louvor, glória e
honra na revelação de Jesus Cristo.
1 Pe 1:6 e 7

Seremos chamados pelo Pai, para ser suas testemunhas, para ser sal e
luz, exemplo. Ele conhece nossos corações, e nossa oração deve ser
sempre o Salmo 139, para sermos aperfeiçoados por Ele até sua volta, e
Ele nos ajuda a vencer.

Eles o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa
da palavra do testemunho que deram e, mesmo diante da morte, não amaram
a própria vida.
Ap 12:11

Os três homens declaram que Deus era suficientemente poderoso para
livrá-los, mas mesmo que Ele não os livrasse, eles permaneceriam fiéis.
Isso vai acontecer sem dúvidas no fim dos tempos, porém a Bíblia deixa
claro que muitos crentes morrerão também. Se o nosso Deus, a
quem servimos, quiser nos livrar, ele nos livrará da fornalha de fogo
ardente e das suas mãos, ó rei. E mesmo que ele não nos livre, fique
sabendo, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses, nem
adoraremos a imagem de ouro que o senhor levantou.
Dn
3:17,18

Quando o Cordeiro quebrou o quinto selo, vi, … as almas
daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa
do testemunho que deram. Clamaram, Até quando, ó Soberano Senhor, santo
e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue …? …foi pedido que
repousassem ainda por pouco tempo, até que também se completasse o
número dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como eles
tinham sido.
Ap 6:9-11

Essa história é uma prévia do fim quando o Anticristo obrigará a
adoração a sua imagem.

E lhe foi concedido poder… (para que) fizesse morrer todos os
que não adorassem a imagem da besta.
Ap 13:15

Estamos dispostos a perder a vida por fidelidade a Jesus. Não negar o
Seu nome, com nossas atitudes, comportamento, com nossas vidas,
testemunho, com nosso coração.